Morales propõe referendo regional sobre acordo militar entre EUA e Colômbia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs, nesta quarta-feira, a realização de um referendo regional sobre o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos. Que sejam os povos e não os impérios que decidam sobre a conveniência ou inconveniência da instalação de bases militares (dos Estados Unidos) na América do Sul, disse Morales durante discurso na localidade de Coipasa, no departamento de Oruro, no centro-oeste do país.

BBC Brasil |

Segundo Morales, os Estados Unidos "levam adiante uma estratégia de desintegração da região", com a qual pretende gerar "divisões" entre os presidentes dos países.

"Às vezes, penso que a instalação destas bases na América do Sul é uma provocação do império para criar conflitos entre os presidentes, para estancar a integração regional".

De acordo com a agência oficial de notícias ABI (Agência Boliviana de Informação), Morales afirmou que levará a proposta do referendo à reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), nesta sexta-feira, em Bariloche, na Patagônia argentina.

"Vou apresentar em Bariloche a proposta do referendo sobre as bases militares. (...) Se o presidente colombiano não quiser retirar estas bases dos EUA da Colômbia, devemos fazer um referendo na Bolívia, na Colômbia, no Equador, Venezuela, Brasil, Argentina e outros para mostrar ao mundo a decisão do povo", afirmou.

Morales acredita que a ampliação da presença americana na região permitiria maior "intromissão" nas decisões internas dos países.

Uribe
O encontro da Unasul foi convocado durante a última reunião do grupo, em Quito, no Equador, para que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, esclareça o acordo aos colegas da região, já que a negociação com os EUA gerou fortes críticas dos integrantes da Venezuela, Equador e Bolívia.

Uribe não participou do encontro em Quito porque a Colômbia e o Equador suspenderam as relações diplomáticas após uma operação de militares colombianos no combate a guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O presidente do Equador, Rafael Correa, criticou a ação, argumentando ter ocorrido uma invasão do território equatoriano.

Nos últimos dias, Uribe e seus assessores, entre eles o chefe das Forças Militares, Freddy Padilla, afirmaram que o pacto militar com Estados Unidos "não prevê a instalação de bases dos Estados Unidos", mas a maior presença de soldados americanos para o combate ao narcotráfico e terrorismo.

Brasil
Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, disse que a reunião da Unasul deve ser transmitida, ao vivo, por todos os meios de comunicação.

"Isso vai ajudar para que a discussão seja séria e responsável e mostrará o ponto de vista de cada país", afirmou.

Um representante do governo brasileiro que está acompanhando as discussões de perto, disse à BBC Brasil que as bases são colombianas, seriam compartilhadas entre militares colombianos e americanos, e comandadas pelos colombianos.

"Mas o problema é a preocupação que essa maior presença de soldados americanos gera na região. Por isso, que fique muito claro que se limite a Colômbia e aí ninguém pode se meter. É um assunto da Colômbia", afirmou a fonte.

O encontro ocorrerá num momento de fortes tensões entre Colômbia e Venezuela, que conta com apoio do Equador e da Bolívia.

Autoridades brasileiras afirmaram que querem garantias de que as ações de militares americanos na Colômbia - onde já estão presentes devido ao Plano Colômbia - se limitem ao território colombiano.

A previsão é que a reunião em Bariloche terá pouco mais de três horas de duração. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deve chegar à cidade na noite de quinta-feira.

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