Morales propõe pacto antiterror na Bolívia

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs na terça-feira a criação de um pacto nacional contra o terrorismo e pela unidade, depois da recente descoberta de um suposto complô magnicida e separatista.

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Morales propôs o pacto em Santa Cruz (leste), a mesma região onde há quase duas semanas foi desbaratado um grupo comandando pelo suposto mercenário Eduardo Rozsa Flores, que morreu na ação. De acordo com o governo, Flores pretendia assassinar Morales e declarar a independência de Santa Cruz.

"Faço uma aberta convocação pública para fazer um pacto antiterrorista, para combater o terrorismo que está ligado aos separatistas, que está ligado às pessoas que querem dividir a Bolívia", disse Morales em discurso transmitido pela TV estatal.

Ele defendeu que o pacto seja firmado pelo poder público, partidos, empresários e organizações sociais, aos quais convocou para "uma reunião de alto nível" em local e data ainda não definidos.

"Não é possível que estrangeiros venham querer dividir a Bolívia", acrescentou Morales, referindo-se à presença de cidadãos de Irlanda, Hungria, Croácia e Romênia no suposto complô de Santa Cruz, reduto da oposição direitista.

Horas antes da proposta, fontes oficiais confirmaram que o governo estuda confiscar bens de empresários vinculados ao suposto complô, que elevou a tensão no país a pouco mais de oito meses das eleições gerais, quando Morales buscará um novo mandato.

A proposta do confisco partiu de movimentos sociais de esquerda e recebeu o apoio do presidente indígena. "Os movimentos sociais consideram que se deve castigar os traidores da pátria que planejaram assassinar o presidente e tentaram dividir o país, fazendo que percam seus bens por semelhante delito", disse o porta-voz Iván Canelas a jornalistas.

O suposto grupo terrorista foi desarticulado em 16 de abril, dois dias depois de Morales forçar o Congresso, mediante uma greve de fome, a aprovar uma polêmica lei de transição constitucional, o que abre caminho para a campanha eleitoral.

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