Morales promulga nova Constituição boliviana em meio a escândalo

O presidente boliviano, Evo Morales, promulgará no sábado a nova Constituição boliviana, de viés estatizante e indigenista, em meio a um escândalo de corrupção envolvendo a empresa nacional de exploração de petróleo YPFB, que atinge diretamente um de seus colaboradores mais próximos.

AFP |

Morales pretende encarar as reformas apoiado na nova Constituição, com a qual prometeu refundar o país, o mais atrasado da América do Sul, a partir de um papel mais ativo do Estado na atividade econômica.

No entanto, a festa que o governo prepara para a promulgação da nova Carta, prevista para o sábado na cidade de El Alto, importante bastião eleitoral de Morales, ficou em segundo plano, depois de denúncias de corrupção afetando o gabinete de Morales.

O caso já provocou a queda do presidente da YPFB, Santos Ramírez, homem de confiança de Morales, que é investigado por "não cumprimento de deveres, uso indevido de influência e contratos prejudiciais ao Estado", segundo a vice-ministra da Transparência, Nardi Suxo, encarregada por Morales de colher os depoimentos.

Além disso, a investigação de uma comissão do Senado e um relatório da promotoria citam o ex-ministro de Hidrocarbonetos Carlos Villegas, nomeado novo presidente da petroleira estatal, levantou novas preocupações.

Na quarta-feira, Villegas disse no Senado que desconhecia o contrato com a Catler Uniservice, supostamente assinado por Ramírez em meio a irregularidades por 86 milhões de dólares, apesar do capital declarado da firma argentino-boliviana ser de apenas 7.000 dólares.

O caso veio à tona depois do assassinato, em 27 de janeiro, de um diretor da empresa, que carregava 450.000 dólares em dinheiro vivo, que supostamente seriam entregues a Ramírez, destituído poucos dias depois por Morales.

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