Morales pede unidade em comemoração ao Dia da Independência da Bolívia

Sucre (Bolívia), 6 ago (EFE).- O presidente Evo Morales pediu hoje unidade e trabalho conjunto, com objetivo de melhorar a Bolívia, em seu retorno à cidade de Sucre, de maioria opositora, para comemorar os 184 anos de independência do país.

EFE |

Após dois anos sem ir à cidade, pelo confronto entre os opositores locais e seu Governo, Morales voltou a pisar na capital constitucional do país, que acolheu os atos centrais do Dia Pátrio.

Da Casa da Liberdade, onde a República da Bolívia foi fundada, em 1825, o presidente dirigiu uma mensagem ao país com vários chamados à oposição para "trabalharem juntos", apesar das diferenças, a favor do desenvolvimento da Bolívia, pela igualdade de todos os seus cidadãos.

"Se todos nos juntarmos, a Bolívia daqui a pouco tempo será um país respeitado e apreciado no contexto internacional. Será um modelo de país que luta pela igualdade e que defende sua dignidade", declarou Morales.

Com a presença de representantes dos três poderes do Estado e até de alguns líderes da oposição, Morales pediu também uma maior coordenação, uma "não submissão", como ele disse, para aprofundar o "processo de mudança" empreendido por seu Governo.

A Bolívia comemora este ano sua primeira festa nacional sob a nova Constituição promulgada em fevereiro, como lembrou Morales, que destacou que, após 184 anos de independência, é a primeira aprovada pelo voto popular.

Morales voltou a defender a completa "descolonização" da Bolívia para acabar com situações como a dominação dos mais pobres e dos indígenas ou a imposição de modelos econômicos que "não servem de solução" para o país.

O presidente também aproveitou para ressaltar que a Bolívia é um país com esperança, que "pode seguir adiante" e deixar de ser o "último ou penúltimo" da América Latina.

Milhares de seguidores de Morales foram hoje a Sucre para expressar seu apoio, em um dia de comemorações sem incidentes e em que o presidente recebeu muitos aplausos, mas também alguns gritos contra, por parte de um grupo de opositores locais.

O único momento de tensão vivido na manhã do Dia Pátrio aconteceu quando vários moradores de Sucre se dirigiram gritos ao presidente como "Evo assassino, La Calancha não se esquece" ou "Isto é Sucre, Sucre respeita".

Os gritos foram feito em referência aos três mortos e 300 feridos durante os protestos de novembro de 2007, na região de La Calancha, em Sucre, contra a Assembleia Constituinte e que deram origem à hostilidade da cidade contra o presidente.

Os protestos aconteceram, porque a Constituinte não aprovou a histórica reivindicação de Sucre de ser a capital plena da Bolívia, já que atualmente só abriga o Poder Judiciário, enquanto o Executivo e o Legislativo ficam em La Paz.

Após os gritos, Morales abandonou o balcão presidencial de onde assistiu o desfile cívico-militar, no qual participaram 111 organizações.

A presença de Morales em Sucre e a escolha da cidade como sede da festa nacional foi vista por alguns setores da Bolívia como um sintoma de "normalização".

De fato, vários líderes opositores do país elogiaram o pedido de unidade de Morales, mas pediram atos concretos para que haja uma reconciliação nacional, como expressaram o presidente do Senado, Óscar Ortiz, e a prefeita de Sucre, Aydeé Nava.

Moradores de Sucre também apoaiaram hoje, em declarações à Agência Efe, o pedido de Morales, embora também tenham reivindicado que o presidente "coloque a mão no peito" para atender as necessidades da cidade e do departamento de Chuquisaca.

Já o líder aimara Adrián Villanueva, elogiou o gesto de Morales de ir à cidade para acabar com as "brigas" e as "más vibrações" geradas "por poucos que não querem a harmonia de paz". EFE vs-sam/pd

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