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Morales pede que neoliberais e ditadores civis sejam revogados

La Paz, 7 ago (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, fechou hoje, em seu reduto na cidade de El Alto, a campanha pelo referendo do próximo domingo, com um pedido ao voto para revogar o neoliberalismo e os governadores departamentais opositores, os quais chamou de ditadores civis.

EFE |

Em um grande ato, que começou com várias horas de atraso, Morales voltou a denunciar que as ditaduras militares dos anos 60 e 70 estão sendo substituídas pelas "ditaduras civis" que, em sua opinião, são exercidas pelos governadores departamentais opositores em suas regiões.

Por isso, convidou os bolivianos de todas as localidades a defenderem no referendo revogatório de domingo o voto e a democracia para que os neoliberais "sejam derrotados".

Também insistiu que o que está em debate nessa consulta são dois modelos econômicos: o "neoliberal e de privatização" que, em sua opinião, é promovido por seus opositores; e o "nacionalizador e redistribuidor de recursos", impulsionado por seu Governo.

Mais de quatro milhões de bolivianos foram chamados às urnas no domingo para ratificar ou revogar o mandato do presidente Morales, de seu vice-presidente Álvaro García Linera e de oito dos nove governadores departamentais do país.

Esta consulta, que a princípio era apresentada como uma saída para a complexa crise boliviana, se aproxima em um clima de crescente confronto político e social no país, que provocou o aumento dos protestos dos opositores a Morales e ao seu Governo.

Nas últimas 48 horas, o presidente boliviano teve que suspender sua agenda prevista nas regiões de Tarija, Santa Cruz, Beni e Pando, todas elas governadas pela oposição, por causa de atos de protesto nos aeroportos para impedir sua chegada.

Perante esta situação, o Executivo boliviano advertiu hoje que o país está no "limiar de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional", e atribuiu esse plano aos governadores departamentais opositores.

No entanto, a opositora aliança Poder Democrático e Social (Podemos, de direita) disse desconfiar dessa denúncia, que disse não passar de uma "cortina de fumaça" lançada pelo Governo.

Já as Forças Armadas ratificaram seu respeito ao Governo Morales e sua subordinação à Constituição Política do Estado, como disse seu comandante, o general Luis Trigo, que lembrou que a obrigação dos exércitos é dar "segurança e estabilidade" ao país.

Em seu discurso de encerramento de campanha, Morales louvou as Forças Armadas por se somarem ao processo de mudança empreendido por seu Governo, e lamentou que na Bolívia ainda haja grupos e famílias que não aceitem a igualdade de direitos e deveres entre todos os cidadãos.

Antes de Morales, discursou no ato realizado em El Alto, cidade que faz fronteira com La Paz e é uma das mais pobres do país, o vice-presidente García Linera, que alertou que a direita boliviana tenta se recuperar "de maneira desesperada", pois parece "que sua derrota nas eleições de 2005 não foi suficiente".

García Linera pediu aos bolivianos que não caiam nas provocações da "direita fascista", e garantiu que no próximo domingo vencerá de novo o projeto de Morales.

O encerramento da campanha pelo referendo revogatório começou com uma greve de fome iniciada pelos dirigentes cívicos do opositor departamento de Santa Cruz, à qual se somou seu governador departamental, Rubén Costas e os de Beni, Ernesto Suárez, e Pando, Leopoldo Fernández, todos eles aliados em seu pedido de autonomia.

Nas próximas horas, devem se somar à greve a governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, e o de Tarija, Mario Cossío.

O objetivo deste protesto é reivindicar junto ao Governo a devolução da renda petrolífera que antes era controlada pelas regiões, e que agora é destinada a custear uma ajuda aos idosos, um dos principais motivos de desavença entre os governadores departamentais e Morales. EFE sam/bm/gs

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