Morales pede que Brasil expulse bolivianos envolvidos em confrontos

LA PAZ - O governo da Bolívia, liderado pelo presidente Evo Morales, pediu nesta sexta-feira ao Brasil que expulse os cidadãos bolivianos envolvidos nos confrontos ocorridos em Pando e que se refugiaram nas cidades fronteiriças do Acre.

Redação com agências internacionais |

Depois dos violentos distúrbios que, segundo dados oficiais, deixaram pelo menos 17 mortos e mais de 100 desaparecidos, dezenas de pessoas se refugiaram nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, no Acre.

O ministro de Governo boliviano, Alfredo Rada, disse à rádio "Red Erbol" que entrou em contato com as autoridades brasileiras para pedir a expulsão "de gente considerada criminosa e que participou de forma direta no massacre em 11 de setembro".

"Entramos em contato com autoridades brasileiras para indicar que (os bolivianos em questão) são delinqüentes sobre os quais há acusações muito graves e, portanto, não corresponderia dar-lhes asilo. Em todo caso, uma vez identificados, é preciso proceder a expulsão do Brasil à Bolívia", disse o ministro.

Rada informou que o governo está trabalhando para conseguir a expulsão dos refugiados, e disse ter informação de que a presidente do Comitê Cívico de Pando, Ana Melena de Suzuki, está refugiada no Brasil, apesar de não estar confirmado que tenha pedido asilo político.

Segundo a "Red Erbol", que cita organizações sociais de Pando, o governo brasileiro negou nos últimos dias um pedido de asilo político do governador de Pando, Leopoldo Fernández.

Crise na Bolívia

Os departamentos bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales.

A oposição quer que o presidente Evo Morales volte atrás em sua decisão de cortar os repasses para Estados mais pobres do dinheiro obtido com impostos sobre gás e petróleo. O presidente diz estar usando o dinheiro para custear uma pensão para os idosos do país.

Os Estados de oposição, os mais ricos da Bolívia, argumentam que são responsáveis pela produção da maior parte das commodities que geram o imposto e, por isso, deveriam ser mais beneficiados por eles, para que possam investir na melhoria da condição de vida de suas populações.

Os protestos também são contra a nova Constituição, cujo texto foi aprovado no fim do ano passado sem o apoio da oposição.

O texto da Carta Magna dá mais poder aos indígenas bolivianos - que representam 60% da população do país, de acordo com o último censo - e confirma a nacionalização dos recursos naturais.

Segundo o analista da BBC James Painter, a Constituição ameaça os negócios e as elites agrárias do departamento de Santa Cruz - onde vive 25% da população boliviana. As propostas para limitar as posses de terra e promover a reforma agrária provocaram fortes reações dos latifundiários locais.

Para que entre em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado em um referendo, que foi convocado por Evo Morales para dezembro.


Mapa político da Bolívia

*Com AFP BBC Brasil e Reuters

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