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Morales pede ao Peru que não vire centro de delinquentes

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse na segunda-feira que o Peru não deve se tornar um centro de delinquentes, ao conceder asilo a ex-ministros bolivianos processados por homicídio e delitos econômicos.

Reuters |

A declaração de Morales, a segunda contra o asilo em dois dias, prolonga uma série de atritos entre os dois países vizinhos, a uma semana do início na Bolívia do julgamento do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada e seus ministros.

Visivelmente irritado pela concessão de asilo no Peru a pelo menos dois ex-ministros processados, e pela possibilidade de que outros dois recebam o benefício, Morales acusou seu colega Alan García de violar não só as normas internacionais, mas também as próprias leis peruanas sobre refugiados.

"A irmã República do Peru não pode ser um centro aonde os delinquentes escapam e são protegidos pelo governo do Peru", disse Morales a jornalistas estrangeiros, qualificando a concessão do asilo como "uma aberta provocação ao povo boliviano e ao governo nacional".

Atritos entre o esquerdista Morales e o conservador García são comuns. Há alguns meses, o governante indígena afirmou que o excesso de "gordura" estava afetando o seu colega peruano e levando-o a fazer considerações descabidas sobre a reivindicação boliviana de acesso ao oceano Pacífico.

O vice-presidente peruano, Luis Giampietri, qualificou em Lima de "inaceitável" a reação de Morales ao asilo.

"Ninguém pode dizer a nenhum país do mundo a quem deve ou não asilar. Acho que isso é uma interferência inaceitável na política interna de um país", afirmou.

Morales disse que, ao conceder asilo a acusados de crimes de lesa-humanidade, García "não respeita o povo boliviano que foi vítima" da morte de pelo menos 60 manifestantes durante distúrbios em 2003, acusação principal contra Sánchez de Lozada e seus ex-colaboradores.

O governo venezuelano, aliado de Morales, também criticou recentemente o Peru por conceder asilo político ao prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, maior rival do presidente Hugo Chávez e foragido da Justiça do seu país.

(Colaborou Marco Aquino em Lima)

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