Morales pede antecipação de diálogo com opositores

La Paz, 17 set (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs aos governadores opositores que iniciem hoje o diálogo sobre a crise no país e não esperem até amanhã, e criticou a Igreja Católica por sua suposta parcialidade.

EFE |

Em discurso no Palácio do Governo, em La Paz, Morales disse que quer encontrar os governadores hoje mesmo, entre 16h e 17h (17h e 18h em Brasília), na cidade de Cochabamba, para começar as negociações.

Morales também propôs um sistema de negociação intensa, a portas fechadas e por tempo integral, até o final dos trabalhos para não prolongar as conversas por um mês, como sugere o texto do pré-acordo.

O presidente boliviano anunciou que enviará aos governadores um convite hoje mesmo para começar os trabalhos.

O governador de Tarija, Mario Cossío, assinou ontem em nome do Conselho Nacional Democrático (Conalde) - que reúne o bloco opositor e autonomista da Bolívia - um pré-acordo para abrir com o Governo um processo de diálogo nacional que permita superar a crise.

Assim, os governadores dos departamentos (estados) de Santa Cruz, Beni, Tarija e Chuquisaca aceitaram o diálogo com Morales, apesar da prisão do governador de Pando, Leopoldo Fernández, confinado em local ainda não divulgado.

Pando completa hoje o quinto dia de estado de sítio declarado para frear uma onda de violência que na semana passada deixou 15 mortos, a maioria camponeses partidários de Morales, que responsabilizou Fernández pelos crimes.

As partes discutirão sobre a divisão da renda do petróleo, a nova Constituição patrocinada por Morales e os estatutos autônomos aprovados por Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

O convênio também estabelece o desalojamento dos prédios das entidades estatais nas regiões citadas, a suspensão do bloqueio de rotas e ordena a investigação da violência em Pando.

Morales disse que, por parte do Governo, o documento foi assinado por dois vice-ministros e criticou Cossío por publicar o pré-acordo, nos jornais do país, com espaço para a rubrica do presidente boliviano em branco.

Também questionou o trabalho do cardeal Julio Terrazas, principal autoridade da Igreja Católica na Bolívia, por ter acompanhado ontem à noite Cossío e o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, na assinatura do acordo.

"Lamento muito que o cardeal (...) defenda as pessoas que defendem os interesses do império e não ao povo", afirmou Morales em seu discurso, no qual também pediu que as igrejas protestantes façam parte da mediação.

"Ontem vimos alguns membros da Igreja Católica muito identificados, já tomaram partido. Eles têm todo o direito de assumir uma posição, mas meu desejo é que as outras igrejas que temos na Bolívia também participem", declarou Morales. EFE ja/wr/rr

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