O presidente boliviano, Evo Morales, pediu nesta terça-feira à Polícia e às Forças Armadas de seu país que façam valer a Constituição, dirigindo também um apelo aos cinco prefeitos rebeldes que rejeitaram um referendo de revogação de mandatos e planejam adiantar as eleições para que respeitem as normas e a Carta Magna.

"Quero pedir aos prefeitos que respeitem as normas, respeitem a Constituição vigente, (...) seguramente teremos diferenças, mas temos normas", discursou Morales no evento de comemoração do aniversário da fundação da Polícia nacional.

Ao mesmo tempo, "quero pedir à polícia nacional e às Forças Armadas: vocês devem ser o exemplo em respeitar as normas e fazer valer a Constituição do estado boliviano", disse o presidente em um ato público de homenagem aos policiais.

Morales, enfraquecido pela decisão dos prefeitos de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Cochabamba de desmarcar o referendo revogatório de mandatos, se defendeu dizendo que "nunca pedi o referendo revogatório".

"Em outubro e novembro, alguns prefeitos pediram o revogatório, aceitei para que as autoridades - presidente, vice-presidente e nove prefeitos - nos submetamos ao povo" nas urnas a fim de solucionar a grave crise política, disse Morales.

Entretanto, a renúncia dos prefeitos rebeldes deixa a Bolívia novamente dividida.

O presidente refletiu que "nossos povos lutaram por um país, pela independência da colônia, e agora que temos uma nação, essa nação não pode ser dividida, essa nação, a Bolívia, não pode ser fracionada, e por isso temos a obrigação de respeitar nossas normas vigentes".

A carta política pede às Forças Armadas, que dependem do Presidente, "garantir o império da Constituição" e à Polícia "o cumplimento das leis em todo o território nacional".

rb/ap

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