La Paz, 7 ago (EFE).- O presidente boliviano, Evo Morales, pediu hoje aos chefes das Forças Armadas de seu país um castigo severo para os dirigentes políticos opositores que, segundo ele, pretendiam dividir o país.

Em discurso pelo 184º aniversário das Forças Armadas, realizado na cidade de Oruro, Morales disse que os militares "não podem perdoar grupos separatistas" liderados por dirigentes civis e governadores opositores.

"As Forças Armadas têm que pôr ordem nas pessoas que querem dividir a Bolívia", disse o governante ao sustentar que, acima da qualquer dificuldade setorial ou regional, "está a unidade do povo boliviano".

"Ao que pensa em dividir a Bolívia, ao que pensa em esquartejar a Bolívia, castigo severo. Está nas mãos de vocês, senhores comandantes, e se não o fizerem, o povo os julgará", advertiu o presidente.

O Governo Morales denunciou insistentemente que grupos políticos e empresariais da região de Santa Cruz, reduto da oposição, tinham relação com um suposto grupo terrorista de europeus abatido pela Polícia boliviana em 16 de abril.

Durante a operação, morreram o suposto líder do grupo, Eduardo Rózsa-Flores (boliviano com cidadania húngara e croata), Árpád Magyarosi (romeno de origem húngara) e Michael Martin Dwyer (irlandês).

Além disso, foram capturados então Mario Francisco Tadic Astorga (boliviano com passaporte croata) e Elöd Tóásó (húngaro), que estão em prisão preventiva em La Paz desde abril passado.

No final do mês passado, a Polícia boliviana anunciou que também procura no país o ex-militar espanhol Alejandro Hernández Mora, especialista em explosivos e supostamente vinculado a esse grupo terrorista.

Segundo as investigações da Procuradoria, o grupo planejava matar Morales e formar milícias para defender a região de Santa Cruz de um possível ataque do Governo central.

Os dirigentes opositores de Santa Cruz rejeitaram as denúncias de vinculação com o grupo armado. Alguns deles se negaram a ir até La Paz para prestar depoimento por considerar que a denúncia é uma "montagem" do Governo para prejudicá-los.

Em seu discurso de hoje, o presidente boliviano ressaltou sua política de fortalecimento das Forças Armadas e citou a recente compra de dois helicópteros, 138 caminhões, 50 caminhonetes, sete ônibus, 21 tratores e lanchas de patrulhamento, além de aumentos salariais e nos seguros de vida para os militares. EFE ja/bba

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