La Paz, 20 jan (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou hoje seus opositores de mentir sobre o projeto de Constituição que irá a referendo neste domingo e os desafiou a mostrarem o que chamou de falsidades sobre aborto e justiça indígena.

Durante ato público em La Paz, Morales negou que, como afirmam alguns oposicionistas, a nova Constituição permita legalizar o aborto na Bolívia e proclamou que se trata de um projeto que "defende a vida".

"Somos da cultura da vida", assegurou o presidente, quem desmentiu também que o texto permita a união civil de homossexuais, dizendo que o casamento é "entre homem e mulher".

Durante a campanha do referendo constitucional, setores da oposição e a Igreja Católica criticaram a ambigüidade do projeto lançado por Morales em assuntos como aborto, família e casamento, ao considerar que abre a via para legalizar a interrupção voluntária da gravidez ou as uniões homossexuais.

Morales também se referiu à justiça indígena, outro dos aspectos do texto que suscitou polêmica, e rejeitou que se associe com "linchamentos" e assassinatos.

O presidente boliviano, de etnia aimara, alegou que a justiça comunitária (como se denominam na Bolívia as que aplicam as comunidades indígenas) previne e resolve conflitos sociais, lembrando que a ação dos tribunais ordinários só chega a 40% do país.

Morales também negou que a nova Constituição fragmente a Bolívia em 36 nacionalidades ao reconhecer "livre determinação" dos povos indígenas.

Neste caso, defendeu que o projeto "assegura a unidade da Bolívia, refletindo sua diversidade porque as Cartas Magnas anteriores do país não recolhiam a todos os setores". EFE sam/jp

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