Morales negocia exploração de lítio e gás com empresas da França

Paris, 17 fev (EFE).- Durante sua visita a Paris, o presidente da Bolívia, Evo Morales, recebeu hoje o respaldo de seu colega francês, Nicolas Sarkozy, à sua política de reformas e o aval de empresas francesas interessadas em explorar de lítio e gás bolivianos.

EFE |

Durante um encontro com Sarkozy no palácio do Palácio do Eliseu, Morales afirmou que o presidente francês "felicitou a nova Constituição da Bolívia" e "as transformações pacíficas" -embora, de fato, conflitos em setembro do ano passado entre Governo e oposição tenham deixado pelo menos 13 mortos.

Para apoiá-las, a França colaborará na fundação de uma escola de administração que, segundo Morales, servirá para formar os funcionários "do novo Estado plurinacional" criado pela Carta Magna aprovada.

O próprio Sarkozy irá a La Paz inaugurá-la em setembro, a convite de Morales para visitar a Bolívia, segundo a delegação do Governo boliviano.

Ele também levou o respaldo francês em matéria econômica, com a abertura de linhas de crédito para a compra de diversos materiais, incluindo helicópteros.

Finalmente, os dois presidentes não trataram os dois temas quentes da agenda política.

Nem entraram na imigração, na qual há diferenças após a aprovação da direção europeia de expulsão muito criticada por Morales, nem nas negociações entre a União Europeia (UE) e a Comunidade Andina de Nações (CAN).

Boa parte da visita de Morales a Paris, aonde chegou procedente de Moscou, teve um forte caráter econômico.

O presidente boliviano reuniu-se com diretores das empresas Bolloré e Total para tratar da exploração do lítio e do gás do país.

O lítio tem uma particular importância estratégica para a Bolívia, pois seu solo contém a metade dos recursos mundiais deste mineral, valioso para a construção de baterias elétricas.

Morales reconheceu que seu país precisa do investimento estrangeiro para explorar o lítio, mas reiterou que não o venderão "a qualquer preço".

A Bolloré está desenvolvendo um carro elétrico junto com a italiana Pininfarina, por isso está interessada no lítio de Uyuni, que o Governo boliviano está disposto a abrir à exploração.

Morales falou com o presidente da empresa, Vincent Bolloré, e testou um dos protótipos de carro elétrico.

Embora tenha afirmado estar "muito surpreendido" pelo projeto de Bolloré, eles não assinaram nenhum acordo e combinaram seguir negociando.

"Para a Bolívia é importante, além de exportar lítio, poder participar de sua industrialização. Queremos participar de todas as etapas da fabricação do carro de lítio. Queremos fabricar carros elétricos na Bolívia", disse Morales.

Nos próximos meses, a empresa francesa fará uma proposta ao Governo boliviano, que conta com propostas de grupos do Japão, da Europa e da América Latina, segundo afirmou Morales.

Com a Total, o presidente boliviano também manifestou interesse para a exploração de gás, mas afirmou que a multinacional deve "acelerar o investimento" e "cumprir os contratos", já que, caso contrário, "a Bolívia tomará suas decisões".

Morales afirmou que a nova Constituição "reforça" a segurança jurídica do país, já que os contratos com as multinacionais passam pelo Parlamento, enquanto antes "eram secretos".

Esta foi a mesma alegação que Morales usou, em 2006, para nacionalizar a exploração de gás boliviano da Petrobras, então a maior empresa na Bolívia e que investira US$ 1,5 bilhão em seu país.

A visita de Morales a Paris, que termina na noite de hoje, também teve um lado cultural, quando ele visitou a sede da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), onde se reuniu com seu diretor-geral, Koichiro Matsuura.

Durante esta reunião, Evo Morales defendeu os "progressos" de seu país "em alfabetização e de proteção do patrimônio cultural" e "o benefício da nova Constituição para a cultura", com a qual criará um Ministério das Culturas destinado a "um Estado plurinacional no qual se respeitem todas elas".

A visita do presidente boliviano terminou com uma conferência na Faculdade de Ciências Políticas de Paris, onde repassou a história de seu movimento social, desde o início sindical como plantador de coca até sua chegada à Presidência. EFE lmpg/jp

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