Morales mantém jejum, mas crise parece longe do fim na Bolívia

La Paz, 11 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, completou hoje seu terceiro dia de greve de fome, sem que por enquanto haja sinais de uma solução para o conflito com seus opositores, que bloqueiam a aprovação de uma lei que possibilitaria a convocação de eleições gerais para este ano.

EFE |

Após três dias sem comer, mas hidratado com água, balas e chá de coca, Morales passou hoje no Palácio de Governo por uma revisão médica feita por uma equipe liderada pelo ministro da Saúde, Ramiro Taipa, que apontou que a saúde do chefe de Estado é "estável".

"Ele está estável, não teve nenhuma complicação", disse Taipa, que é médico, ao destacar que o presidente mostrou uma "extraordinária vitalidade", apesar "da medida extrema" que tomou na quinta-feira junto a 14 sindicalistas e líderes sociais.

Os médicos recomendaram repouso a Morales, que hoje foi fotografado descansando e rindo sobre um colchão estendido no chão, falando ao telefone, mas sem fazer declarações à imprensa.

Morales se declarou em jejum para exigir à oposição a aprovação da lei necessária para realizar o pleito de 6 de dezembro próximo, quando tentará a reeleição.

As divergências sobre essa lei eleitoral vinham sendo discutidas no Congresso até quinta-feira passada, quando a oposição decidiu abandonar a sessão denunciando que o Governo não respeitou a negociação que ocorria de forma paralela.

As diferenças se centram na atribuição de uma quota de cadeiras para grupos indígenas, na validade do censo eleitoral e na participação na votação de bolivianos no exterior.

Novamente, o vice-presidente e presidente do Congresso, Álvaro García Linera, se viu obrigado neste sábado a adiar para a noite de hoje a sessão do Congresso, como ocorreu desde quinta-feira devido à ausência dos opositores.

García Linera lembrou que já se passaram 72 horas com um Congresso sem trabalhar e 50 horas da greve de fome de Morales. O vice-presidente criticou de forma dura os legisladores opositores por não terem retornado ao Parlamento, onde os governistas estiveram presentes.

Os parlamentares do Governo não descartaram a possível convocação dos suplentes dos opositores para levar adiante a lei eleitoral, apesar de que, para isso, seria necessária uma autorização dos titulares.

García Linera acusou os legisladores opositores de tentar sabotar as eleições de dezembro e de terem aproveitado os dias de festa para se divertir, ao invés de trabalhar no Congresso.

"Há uma conjuração política para que não haja eleições este ano" porque os opositores se "sentem derrotados" e "temem o voto dos bolivianos", disse o vice-presidente.

No entanto, a oposição reivindica que, antes de ir às eleições de dezembro, é necessário revisar o censo eleitoral porque, em seu critério, tem irregularidades que permitirão que o Governo fraude a favor de Morales.

García Linera respondeu a denúncia dizendo que tecnicamente é difícil atualizar o censo 10% antes das eleições de dezembro e, por outro lado, acusou a oposição de controlar os cortes departamentais (estaduais) eleitorais.

Da cidade de Santa Cruz, reduto opositor, o presidente do Senado, Óscar Ortiz, afirmou que a oposição dialogará com o partido de Evo Morales só se "eleições limpas" forem garantidas.

Para isso, Ortiz ratificou a necessidade de ter um novo registro nacional de eleitores e de revisar a situação dos que usaram cédulas de identidade entregues por um programa social apoiado pelo Governo da Venezuela, aliado de Morales.

O ex-presidente e dirigente opositor da força Poder Democrático e Social (Podemos), Jorge Quiroga, pediu hoje a presença em La Paz de observadores internacionais para o reatamento dos debates no Congresso sobre a lei eleitoral.

Em 2008, observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), das Nações Unidas, da União Europeia (EU), de vários países sul-americanos e da Igreja Católica apoiaram os acordos alcançados então pelo partido de Morales e a oposição. EFE ja/rr

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