Morales lidera marcha a favor de referendo constitucional

Abraham Zamorano. Caracollo (Bolívia), 13 out (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, liderou hoje uma grande passeata em direção a La Paz organizada por partidários do Governo para exigir que o Congresso convoque o referendo necessário para a aprovação da nova Constituição.

EFE |

O ato começou em Caracollo, no departamento (estado) de Oruro, a quase 200 km de La Paz, do qual Morales participou em alguns quilômetros, seguido por milhares de sindicalistas e camponeses que esperam chegar em uma semana à capital do país.

O presidente afirmou que se trata de "uma marcha pacífica, não de pressão" para fazer com que o Congresso aprove o referendo sobre o projeto de nova Carta Magna.

No plebiscito, os bolivianos responderam sobre a extensão mínima para que um latifúndio improdutivo possa ser desapropriado (5 mil ou 10 mil hectares), assunto em que não houve acordos na Assembléia Constituinte.

Além disso, a totalidade do texto, composto por 411 artigos, será submetido à vontade dos bolivianos.

O projeto de nova Carta, aprovado em dezembro em Oruro em uma sessão da Assembléia Constituinte na qual praticamente estiveram presentes apenas governistas e aliados, é rejeitado plenamente pela oposição.

A lei de convocação requer aprovação de dois terços do Congresso, número que o Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Morales, não tem.

Na última semana, começou o processo de negociação no Parlamento com o qual o MAS quer ter o apoio dos opositores ao referendo, que no entanto, apresentaram pelo menos 11 objeções ao projeto constitucional.

Entre os pontos que mais dividem Governo e oposição estão a possibilidade de reeleição do presidente, a reforma agrária e o modelo de descentralização autônoma.

O texto foi aprovado pela Assembléia Constituinte no ano passado e até agora o Governo o considerava "fechado" e alegava que não o modificaria. Porém, após o diálogo em Cochabamba, concordou, visando a um possível consenso, em introduzir algumas variações.

Morales insistiu, em seu discurso de hoje, que a nova Constituição é um projeto democrático, o primeiro da história boliviana elaborado por uma assembléia escolhida pelo voto popular.

"Que me diga algum jurista, que me diga algum constitucionalista, que me digam os políticos da ditadura ou da democracia, quando submeteram o povo a uma Constituição. Nunca", enfatizou.

Os organizadores anunciaram que quando chegarem a La Paz iniciarão uma "vigília" e não um "cerco" ao Congresso como o que já fizeram em 28 de fevereiro, quando o Governo convocou o referendo em uma polêmica sessão na qual se chegou a impedir a entrada de legisladores opositores.

Na época, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) se negou a levar adiante a consulta com o argumento de que a convocação não respeitava os prazos mínimos legais para ser organizada, e tomou a mesma decisão meses depois quando Morales as fixou pela via de um "decreto supremo".

A marcha de hoje foi convocada pela Coordenadora Nacional para a Mudança (Conalcam), organização que reúne sindicatos e movimentos sociais.

Os milhares de manifestantes, majoritariamente indígenas de mais de 130 organizações, começaram sua caminhada em Caracollo com tanto ímpeto que o próprio Morales custou a chegar à frente da passeata, protegido por uma dezena de policiais.

Com orquestras, vendedores de sorvetes e refrescos, bandeiras bolivianas e wiphalas (simbolo dos indígenas dos Andes), o protesto começou com um inusitado ar festivo.

O presidente da Conalcam, Fidel Surco, pediu a deputados e senadores que "entreguem a lei" a eles antes que a marcha alcance o "meio do caminho".

Uma fonte próxima ao Governo disse à Agência Efe que esperam que com o passar dos dias vão se incorporando vários milhares de manifestantes até que cheguem a 30 mil. EFE az/rb/rr

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