Morales lamenta ausência de acordos para solucionar crise na Bolívia

Panamá, 19 set (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, lamentou hoje no Panamá que não se tenha conseguido a assinatura dos primeiros acordos do diálogo nacional que promove no país para buscar uma saída para a crise atual.

EFE |

Morales se referiu ao tema em coletiva de imprensa concedida após receber uma homenagem na Universidade do Panamá, que concedeu ao líder boliviano um título de doutor "honoris causa" em Humanidades, por sua história de vida.

O governante boliviano disse que em um diálogo que se estendeu até a madrugada de hoje em Cochabamba, pouco antes de empreender viagem rumo ao Panamá, propôs dois temas centrais de diálogo.

"O primeiro era um acordo para compatibilizar as propostas de autonomia, com a nova Constituição Nacional do Estado que alguns governadores não quiseram assinar", avaliou.

O segundo pôs em discussão como escolher vice-governadores e o mecanismo para escolher conselheiros departamentais (estaduais), em uma espécie de Parlamento regional que, afirmou, "também não quiseram assinar".

O governante boliviano assegurou que, apesar desse primeiro revés, duas grandes comissões já iniciaram trabalhos para conciliar posturas em temas como economia e política. Disse que amanhã começarão a reunir suas propostas.

Morales destacou que ele e seu Governo estão apostando em um futuro melhor, "porque, mediante o diálogo, e na democracia, podemos fazer profundas transformações nas áreas econômica e social".

Sobre a hipótese de suas propostas colocarem em risco o diálogo nacional, Morales expressou que "não importa se (opositores) assinam ou não assinam, porque o povo está vendo e isso é o mais importante".

O presidente da Bolívia avaliou a presença da comunidade internacional nas negociações realizadas em Cochabamba e reiterou que em seu país há "uma conspiração" contra seu Governo.

Elogiou os promotores que ordenaram a detenção do governador do departamento de Pando, Leopoldo Fernández, a quem responsabilizou pelos violentos protestos que ocorreram nessa região.

As ocorrências de Pando provocaram a morte de pelo menos 17 pessoas, a maioria camponeses simpatizantes de Morales.

O departamento de Pando, no norte do país, faz fronteira com o Brasil e segue em estado de sítio e sob custódia militar.

O líder boliviano terminou hoje sua visita de apenas um dia ao Panamá, onde se reuniu com o presidente panamenho, Martín Torrijos.

Retornou à Bolívia para somar-se ao diálogo nacional em andamento.

EFE fa/fr

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