Soledad Álvarez. La Paz, 22 jan (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciou hoje seu segundo mandato após fazer o juramento de posse na Assembleia Legislativa, onde inaugurou o novo Estado Plurinacional autônomo e solidário que pretende pôr fim ao período colonial e republicano do país.

A chegada do Estado Plurinacional à Bolívia foi simbolizada pelo momento em que Morales recebeu de seu vice-presidente a nova faixa (com uma "whipala" - bandeira de origem andina - e uma insígnia indígena) e a medalha presidencial, após devolver a recebida na primeira posse em 2006 e que foi usada na etapa republicana.

A entrega dos novos símbolos ocorreu sob o "olhar" dos quadros de antigos líderes indígenas que lutaram contra a colônia espanhola como Tupac Katari e Bartolina Cava, colocados pela primeira vez na Assembleia Legislativa.

As antigas insígnias presidenciais serão guardadas nas abóbadas do Banco Central, como anunciou o vice-presidente Álvaro García Linera.

"Agora consolidamos a democracia, não só representativa, mas participativa", proclamou Morales ao iniciar seu discurso de posse que foi presenciado pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez; do Equador, Rafael Correa; do Chile, Michelle Bachelet; e do Paraguai, Fernando Lugo.

Assistiram à posse ainda o herdeiro da Coroa espanhola, o príncipe Felipe de Borbón, o presidente da República Saaráui, Mohammed Abdelaziz, e altos representantes dos Governos de Cuba, Colômbia e Peru.

Ao longo das duas horas de discurso, Morales revisitou sua gestão anterior citando números, datas e percentuais sobre os "recordes históricos" conquistados em diversas áreas, como educação, saúde, emprego e macroeconomia.

Diante de tanta prolixidade, Morales, em tom de desculpa e consciente de estar sendo cansativo, chegou a pedir paciência em duas ocasiões aos presentes no plenário.

Fiel as suas posições antiimperialistas, o presidente boliviano aproveitou para fazer "acusações" aos Estados Unidos, a advertiu àquele país que não pode proibi-lo de relacionar-se com Cuba, Irã ou Venezuela.

Sobre os desafios da gestão que começa, Morales citou a necessidade de fazer uma "profunda revolução no Poder Judiciário" e de acelerar a industrialização dos recursos naturais do país como o gás e o lítio do Salgar de Uyuni e o ferro do maciço do Mutún, uma das maiores reservas mundiais do mineral.

Colocou também como demanda a ser realizada na nova gestão, as melhorias territoriais nas comunicações por estradas e ferrovias, assim como garantir o acesso da população aos serviços básicos de água, esgoto e energia.

Seu maior desafio - assunto apenas citado por Morales no discurso - será a implantação da nova Constituição, o que requer a aprovação de mais de cem leis na Assembleia.

Quem expôs as linhas ideológicas da nova etapa da Bolívia foi o vice-presidente García Linera, que também renovou o cargo e afirmou que o horizonte do país é o socialismo.

"Nossa modernização estatal, que vamos construir e que já estamos construindo com a liderança popular, é muito diferente da modernidade capitalista. É preciso colocar nome: nosso horizonte estatal é um horizonte socialista", disse García Linera.

Em seu discurso, o vice-presidente - um ex-guerrilheiro que foi preso nos anos 90 e acompanha Morales desde o primeiro mandato - destacou a "via democrática ao socialismo" que o país tomou.

"O socialismo é bem-estar, é dividir a riqueza. É o que faziam nossos antepassados, só que em uma escala maior com tecnologia e produtividade", disse.

Milhares de correligionários de Morales, muitos indígenas de diversas regiões do país, se concentraram na Praça Murillo para acompanhar a posse.

Os atos organizados serão concluídos nesta tarde com uma atividade popular e uma festa no estádio Hernando Siles de La Paz.

EFE sam/dm

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