Morales espera que referendo defina novo cenário e propicie reconciliação

La Paz, 9 ago (EFE).- O presidente boliviano, Evo Morales, expressou hoje seu desejo de que seu país defina um novo cenário político e chegue à reconciliação com o referendo sobre mandatos que o país realizará amanhã, em um clima de incerteza sobre a eficácia desta consulta.

EFE |

Mais de quatro milhões de bolivianos estão convocados a comparecer às urnas neste domingo para decidir se o presidente Morales, o vice-presidente, Álvaro García Linera, e oito dos nove governadores do país, a maioria opositores, continuam ou não em seus cargos.

A governadora do departamento (estado) de Chuquisaca, a camponesa quíchua e opositora Savina Cuéllar, é a única que não será submetida ao referendo revogatório, por ter sido escolhida recentemente no pleito departamental realizado no dia 29 de junho.

Na véspera da consulta revogatória, Morales pediu hoje a participação dos boliviano e afirmou que o voto do povo servirá para "fortalecer a democracia e redefinir o novo cenário político" do país.

Ele também se mostrou seguro de que o voto dos bolivianos obrigará a uma "reconciliação" e a "um reencontro das autoridades" do país.

A Bolívia vive com expectativa as horas que antecedem o referendo que avivou a crise política do país, onde o projeto constitucional de Morales enfrenta o plano autonomista de várias regiões controladas por seus opositores.

A consulta chega rodeada de incertezas sobre sua validade constitucional e, principalmente, sobre a interpretação de seus resultados e a percentagem de votos necessários para que um governador regional seja revogado.

O confronto entre Morales e seus opositores regionais se intensificou na semana que antecede o referendo, com o aumento de protestos políticos contra o Governo que inclusive impediram a ida do presidente a vários departamentos do país.

Foi o caso de Sucre, onde Morales teve que suspender sua participação nos atos da Festa Nacional, e de Tarija, onde os protestos dos opositores impediram uma visita da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e do Chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez.

Também nas regiões de Santa Cruz, Beni e Pando, os atos de protesto nos aeroportos de suas capitais fizeram com que Morales desistisse de cumprir vários atos previstos nestes territórios.

As ações da oposição levaram o Governo a afirmar que a Bolívia se encontrava no "primeiro passo para um golpe de estado" que o próprio Executivo "rebaixou" posteriormente à categoria de "sabotagem".

A estes episódios, uniu-se uma onda de conflitos sociais em vários pontos do país, que chegaram a ser violentos no caso do departamento andino de Oruro, onde dois mineiros morreram e mais de 40 pessoas ficaram feridas em um enfrentamento com a Polícia.

Nas horas que antecedem o referendo,os conflitos diminuíram em parte graças ao pré-acordo entre o Governo e a Central Operária Boliviana (COB) sobre a nova lei de previdência exigida por este sindicato, considerado o mais importante da Bolívia e responsável por promover boa parte dos protestos dos últimos dias.

No entanto, governadores opositores e dirigentes cívicos das regiões de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, mantêm uma greve de fome para exigir a restituição da renda petrolífera regional que o Governo destina agora a uma ajuda para idosos.

Segundo informa hoje a imprensa local, as cédulas e urnas chegaram sem incidentes notáveis aos recintos de votação.

O referendo revogatório do dia 10 de agosto será a consulta mais vigiada de todas realizadas na Bolívia e, segundo a Corte Nacional Eleitoral, contará com a presença de mais de 200 observadores internacionais e quatro mil nacionais.

A missão de observadores internacionais que se encontram no país procede, entre outros, da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina (Ceela), do Conselho Eleitoral Andino (CEA) e do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O clima de tensão que rodeia o referendo revogatório da Bolívia fez crescer as vozes de alerta e as chamadas à paz na comunidade internacional.

Foi o caso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da Nobel da Paz Rigoberta Menchú e do presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, Carlos Álvarez, que se mostraram preocupados com a situação na Bolívia. EFE sam/ab/rr

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