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Morales espera fortalecer sua liderança para desbloquear nova Constituição

O presidente da Bolívia, Evo Morales, espera fortalecer sua liderança no referendo revogatório deste domingo para poder liberar o caminho de seu projeto constitucional, continuar com sua revolução democrática e cultural e aprofundar seu modelo de socialismo.

EFE |

Morales, assim como o vice-presidente e oito dos nove governadores dos departamentos (estados) do país, submeterá seu cargo a julgamento dos bolivianos no meio de seu mandato, o que ratifica recorde de permanência como presidente se comparado a seus últimos quatro antecessores.

Apesar da polarização política no país e da incerteza em torno da consulta, Morales enfrenta a reta final para o referendo apoiado pelas pesquisas, nas quais é confirmado no mandato.

A pesquisa mais favorável a Morales, divulgada no domingo pelo jornal de La Paz "La Razón", dá 59% dos votos a favor do presidente boliviano, enquanto outra publicada pelo jornal de Santa Cruz "El Deber" dá 54% das intenções voto ao chefe de Estado.

A regra deste referendo estabelece que tanto Morales quanto o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, só podem ter os mandatos revogados caso o voto contra sua gestão supere 53,7%, o percentual de votos obtido pela chapa dos dois nas eleições de 2005.

Morales diz que o que está em jogo nesta consulta não são os cargos, mas dois programas de Governo e dois modelos econômicos para o país: o nacionalizador e o "neoliberal" de privatização.

O vice-presidente acredita, no entanto, que o modelo nacionalizador já venceu o "neoliberal" e aposta que o referendo produzirá uma "reconfiguração" do poder territorial para avançar no desempate político entre a situação e a oposição.

Em entrevista concedida recentemente ao jornal "La Prensa", García Linera afirmou que a consulta do próximo domingo colocará à toda prova "a correlação de forças territoriais do Estado".

Precisamente, a principal oposição a Morales aconteceu este ano nas regiões bolivianas, já que sete dos nove departamentos do país são governados por oposicionistas.

Além disso, quatro desses departamentos (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) empreenderam um processo autonomista contra o Governo que também será seguido por Cochabamba e Chuquisaca, respaldado também pelo governador de La Paz.

A tensão entre o Governo central e os governadores destes departamentos chegou a dificultar a presença de Morales em algumas áreas do país, principalmente em Santa Cruz e Chuquisaca, onde os protestos disparam quando uma visita do presidente às regiões é anunciada.

Além da possibilidade de alguns dos opositores terem seus mandatos revogados, o presidente boliviano tem neste referendo a possibilidade de consolidar sua liderança para enfrentar a principal tarefa de seu Governo: a aprovação definitiva da nova Constituição.

O texto, aprovado em dezembro por uma questionada Assembléia Constituinte, deve ser submetido a referendo para sua ratificação definitiva, mas conta com rejeição da oposição.

Em qualquer caso, os referendos constitucionais (um para aprovar o texto em seu conjunto e outro sobre o artigo que regula a desapropriação de latifúndios) não podem ser realizados ainda em 2008, pois a lei impede mais de uma consulta nacional no mesmo ano.

O Governo anunciou que, se o referendo revogatório abrir "um novo cenário de possibilidades", negociará com os diferentes setores a implementação da nova Carta Magna.

"Vamos voltar a convocar o diálogo no dia 11 de agosto", disse o vice-presidente boliviano, que apela por uma mudança de atitude das forças conservadoras para que a negociação sobre a Constituição seja frutífera.

Alguns deputados constituintes, como Jorge Lazarte, propõem para depois do referendo a criação de uma nova instância que discuta o texto constitucional, aprove os pontos de concordância e pense em alterar os de confronto. "De outra forma, as conseqüências serão muito graves", diz Lazarte.

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