Morales envia ministros às regiões para fixar agenda com opositores

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu nesta quarta-feira que cinco de seus ministros se deslocarão às regiões de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca para elaborar uma agenda de diálogo com os governadores opositores desses departamentos.

Redação com agências internacionais |

O anúncio foi feito após os governadores ratificados no referendo revogatório do último domingo não participarem da mesa de diálogo convocada pelo governo central. O motivo, segundo eles, foi o fato do convite ter sido "muito informal" e feito com poucas horas de antecedência.

Em entrevista ao canal de televisão "ATB", o governador de Tarija, Mario Cossío, justificou assim sua ausência na mesa de negociações do governo, convocação anunciada na noite da última terça pelo ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana.

Cossío está em Santa Cruz para participar juntamente com o governador deste departamento e os de Beni, Pando e Chuquisaca, todos da oposição, de uma reunião do Conselho Nacional Democrático (Conalde), cujo objetivo é adotar uma posição comum contra o governo do presidente da Bolívia, Evo Morales.

"É provável que o governo esteja buscando, depois que soube que estávamos reunidos, diluir este esforço que as regiões têm para aprofundar suas alianças", disse Cossío.

O Conalde, como ante-sala da reunião de hoje, teve um encontro ontem à noite que se prolongou até as 3h (4h, horário de Brasília) e no qual os governadores resolveram não atender à convocação do governo.

Para Cossío "a Bolívia necessita não somente de uma reunião, mas de um processo de reconciliação nacional que deverá ser organizado sobre as bases certas".

Referendo

Dos cinco governadores do Conalde, apenas uma, a de Chuquisaca, Savina Cuéllar, que foi eleita em junho, não teve o mandato submetido ao referendo revogatório de domingo. Os outros quatro foram ratificados em seus cargos pelos cidadãos, segundo os resultados parciais divulgados até agora.

Na consulta, Morales e o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, também foram ratificados em seus respectivos cargos com 66,85% dos votos após 87,94% das urnas apuradas.

A consulta popular foi convocada como uma possível via para sair da crise política boliviana, que tem sua origem no confronto entre o projeto de refundação constitucional do presidente e os planos de autonomia do Conalde.

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