Morales entra em campanha após sancionar lei eleitoral

Javier Aliaga. La Paz, 14 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, proclamou hoje o início oficial de sua campanha para tentar a reeleição em dezembro, após sancionar a lei que garante as eleições gerais.

EFE |

"Este movimento político, este Governo dos movimentos sociais deve garantir a vitória em 6 de dezembro deste ano e iniciamos aqui a campanha pensando em dezembro", disse Morales em discurso aos seus seguidores reunidos nas portas do palácio presidencial.

Morales, que assumiu a Presidência da Bolívia em janeiro de 2006, tentará renovar seu mandato para o período 2010-2014 e iniciar as reformas políticas e econômicas aprovadas na nova Constituição, em vigor desde fevereiro.

Horas antes de sancionar a lei eleitoral, Morales suspendeu a greve de fome que iniciara há seis dias no palácio do Governo, depois que o Congresso aprovou a nova norma, após longos debates e desencontros que mantiveram o país em suspenso.

Morales explicou que decidiu entrar em greve de fome -medida só adotada anteriormente na Bolívia por outro presidente, também esquerdista, nos anos 80- "em protesto contra os restos do 'modelo neoliberal' que ainda tentam frear as mudanças no país".

O presidente boliviano também afirmou que não está longe de conseguir 90% dos votos e que isso depende da "consciência do povo".

A última pesquisa de intenções de voto publicado na imprensa boliviana há duas semanas dá 38% a Morales, bem menos.

Ainda assim, esse número reflete uma ampla vantagem sobre os 9% atribuídos ao segundo colocados nas pesquisas, o ex-presidente Carlos Mesa (2003-2005), que, no entanto, não confirmou ainda sequer se lançará candidatura.

Morales anunciou que inicia hoje sua campanha, apesar do que disser a oposição, porque seu movimento está "em uma luta democrática, cultural e programática".

Por enquanto, os únicos que oficializaram sua candidatura para enfrentar Morales, são dois indígenas quíchuas, o atual prefeito de Potosí, René Joaquino, e o sindicalista camponês Alejo Veliz.

Em seu discurso, o presidente também expressou seu "mais profundo respeito e admiração" aos movimentos sociais e sindicais que apoiaram sua greve.

Segundo o Governo, 3 mil bolivianos jejuaram em solidariedade com Morales, tanto na Bolívia quanto imigrantes na Argentina e na Espanha.

Ele aproveitou para acusar os opositores no Senado de terem "chantageado" o Governo para retomar as negociações no Congresso com o objetivo de mudar a lei eleitoral proposta por seu partido e que foi modificada substancialmente nesta madrugada.

O vice-presidente do país e presidente do Congresso, Álvaro García Linera, criticou também os opositores porque, segundo ele, atrasaram sem razão a aprovação da lei com o objetivo de bloquear a eleição.

"Não queriam eleições em dezembro deste ano porque desde hoje se sentem derrotados, sem apoio social, sem programa e sem ideias", acusou.

Um dos principais acordos é o compromisso da Corte Nacional Eleitoral de elaborar um novo censo informatizado de eleitores para garantir eleições limpas.

A lei institui, ainda, uma cota de sete cadeiras na Câmara dos Deputados para grupos indígenas minoritários e estabelece pela primeira vez o voto dos bolivianos que vivem no exterior, para cumprir os direitos estabelecidos na nova Constituição.

A norma também estabelece que, em 6 de dezembro, mesmo dia da eleição nacional, haverá referendos independentes nos departamentos de La Paz, Cochabamba, Oruro, Potosí e Chuquisaca para que seus moradores decidam se desejam um regime autônomo.

Em outra consulta realizada em 2006, Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija já aprovaram suas autonomias, mas agora devem adequar seus estatutos à nova Constituição para poder desenvolvê-los.

A norma promulgada por Morales também estabelece as regras para realizar eleições de governadores departamentais e prefeitos, previstas para 4 de abril de 2010. EFE ja/jp

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