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Morales enfrenta teste decisivo para fundar novamente a Bolívia

Soledad Alvarez. La Paz, 24 jan (EFE).- Três anos após chegar à Presidência da Bolívia, Evo Morales enfrenta o teste mais importante de seu mandato: o referendo sobre a nova Constituição, com a qual pretende voltar a fundar o país.

EFE |

Os bolivianos irão no domingo às urnas para dizer "sim" ou "não" a uma Constituição orientada à "integração indígena", que propõe um Estado unitário e ao mesmo tempo plurinacional e autônomo e que estabelece um modelo econômico de caráter estadista.

Este projeto constitucional é a coluna vertebral do processo de mudança e da "revolução democrática e cultural" com a qual Morales quer construir uma "nova Bolívia", que rompa definitivamente com seu passado "colonial" e "neoliberal".

"Uma Bolívia unida que garanta a igualdade e as autonomias: essa é a aposta", insistiu Morales em sua campanha pelo "sim".

Outra das mensagens mais repetidas pelo presidente boliviano nas últimas semanas é que a nova Constituição permitiria acabar, inclusive de forma retroativa, com a corrupção, o nepotismo e a burocracia, que segundo ele são "características próprias de um sistema colonial".

Com a consulta constitucional do domingo, a Bolívia continua também o processo "de ser novamente fundada" que já vem ensaiando outros países da região como o Equador, sob o Governo de Rafael Correa, ou Venezuela o mandato de Hugo Chávez, aliado de Morales.

O presidente indígena e seu Governo iniciaram a campanha pela nova Constituição com um elevado otimismo que lhes levou a prever até 90% de respaldo à nova Carta Magna.

No entanto, na reta final para o referendo, o presidente mostrou-se mais cauteloso e pediu a suas bases que não tomem a vitória como certa e sigam trabalhando para conseguir mais votos.

Nos últimos dias de campanha, analistas e meios de comunicação criticaram o fato de que os bolivianos chegam ao referendo com um profundo desconhecimento do projeto constitucional e acham que a consulta se transformará em um plebiscito sobre a continuidade do Governo.

Em qualquer caso, o presidente da Bolívia chega a 25 de janeiro com uma liderança consolidada após o referendo sobre mandatos realizado em agosto do ano passado, no qual sua gestão obteve 67,4% de respaldo.

Ele também chega a essa disputa decisiva com uma Bolívia que segue "polarizada", mas "pacificada", após as violentas semanas vividas após o referendo de agosto que terminaram com um acordo político no Congresso Nacional com o qual Morales pôde convocar o referendo constitucional.

Para conseguir esse consenso, Morales e o Governo precisaram aceitar a modificação de mais de 100 artigos do texto, aprovados pela Assembleia Constituinte.

O presidente também teve que ceder no polêmico tópico da reeleição e garantir que só voltará a se candidatar uma vez, mais especificamente nas eleições gerais antecipadas marcadas para dezembro de 2009.

O caminho para chegar ao referendo constitucional foi longo e tortuoso: Morales chorou em 21 de outubro, quando finalmente conseguiu convocar a consulta na Praça Murillo de La Paz, diante de milhares de seus seguidores.

Em 2008, o presidente da Bolívia viu fracassarem duas tentativas de convocar este referendo: o primeiro, no final de fevereiro com um Congresso cercado pelos movimentos sociais que tem como aliados, e o segundo, em 28 de agosto, via decreto supremo.

Em ambas as ocasiões, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) freou a iniciativa ao considerar que não havia as condições legais exigidas para convocar a consulta.

Um dos principais argumentos da oposição para rejeitar o projeto constitucional é que ele não é fruto de um autêntico "pacto social", em referência ao polêmico processo aberto em 6 de agosto de 2006 com a instalação da Assembleia Constituinte encarregada de elaborar o novo texto.

Essa Assembleia terminou seu trabalho, quase um ano e meio depois, com profundas divergências entre Governo e oposição, e graves conflitos na cidade de Sucre que terminaram com três mortos e centenas de feridos.

O projeto constitucional foi aprovado na cidade de Oruro, em 9 de dezembro de 2007, à revelia da maioria dos partidos da oposição. EFE sam/jp

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