Morales empossa primeiro gabinente plurinacional boliviano

O presidente da Bolívia, Evo Morales, empossou neste domingo o primeiro gabinete plurinacional após a promulgação no sábado de uma nova Constituição com a qual pôs em vigor o socialismo comunitário em seu país, o mais pobre da América do Sul.

AFP |

"O gabinete representa o Estado plurinacional com a presença de ex-catedráticos, ex-assessores da força sindical Central Operária, ex-dirigentes do movimento de camponeses indígenas, intelectuais, catedráticos, companheiros aymaras e quechuas (as etnias mais importantes do país)", disse Morales.

O governante esquerdista criou para este novo gabinete os ministérios da Autonomia, de Meio Ambiente e Águas, de Culturas e de Transparência Institucional e Luta contra a Corrupção.

Morales destacou estas novas repartições, em particular a do Meio Ambiente, "porque devemos viver em harmonia com a mãe Terra (Pachamama, na cosmovisão andina)", e a da "luta contra a corrupção" que vem abalando seu governo com o caso da estatal de petróleo.

"Temos que começar a mudar tudo, se quisermos mudar a Bolívia: a mudança começa pelo presidente, vice-presidente, seguido por vocês. Não viemos aqui como figurantes, viemos aqui para trabalhar, não estamos aqui por dinheiro, mas pela pátria. Queremos um gabinete que responda ao povo boliviano", declarou.

Depois de três anos de gestão, Morales disse se sentir "como meio presidente ainda, porque continuo aprendendo, continuo entendendo melhor as necessidades do povo boliviano".

"Não viemos aqui visitar o palácio de Governo. Este recinto, conhecido como palácio, deve ser a casa do povo para toda a vida", destacou.

O presidente boliviano disse sábado, no ato de promulgação da nova Constituição, que a sabedoria do povo permitiu "derrotar os agentes externos, derrotar o imperialismo americano".

"Apenas a sabedoria dos nossos povos e das nossas forças sociais permitiu identificar e derrotar os agentes externos, derrotar o imperialismo americano", declarou Evo Morales, diante de uma multidão reunida para acompanhar a promulgação da nova Constituição.

Morales se referiu à aprovação, em referendo, de uma nova Carta Magna, que, segundo ele, instaura "o socialismo comunitário" no país. Também fazia referência à expulsão, em setembro do ano passado, do embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, acusando-o de articular uma conspiração interna contra seu governo.

"Nessa nova Constituição Política do Estado, não se permite, não se permitirá instalar nenhuma base militar estrangeira", frisou.

Além disso, "não haverá embaixadores como antes: moviam ministros, demitiam ministros", ou como "o embaixador dos Estados Unidos que autorizava o ingresso de aviões no aeroporto de Chimoré (região 'cocalera' no centro do país). Isso acabou, graças à conquista do povo boliviano", comemorou.

rb/lm

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