Morales e rivais autonomistas saem fortalecidos após referendo

La Paz, 12 ago (EFE) - Os dados oficiais do referendo de domingo confirmaram hoje que tanto o presidente da Bolívia, Evo Morales, quanto seus principais rivais autonomistas não só foram confirmados em seus cargos como saem fortalecidos, quando só faltam apurar 25% dos votos.

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No caso de Morales, o apoio à sua continuidade na Presidência está em torno de 65%, segundo a Corte Nacional Eleitoral (CNE).

O percentual supera os 53,7% que ele obteve nas eleições de 2005 e também os números que indicavam as pesquisas posteriores à consulta de domingo.

A aprovação de Morales e de seu vice-presidente, Álvaro García Linera, ganha claramente em cinco departamentos: La Paz, Cochabamba e Pando, governados por opositores, e Oruro e Potosí, onde o poder está na mão de governistas.

No departamento opositor de Tarija, a única região onde a apuração já foi encerrada, a diferença entre o número de votos contra Morales é ligeiramente superior aos favoráveis (diferença de 457 votos), o que desmente as pesquisas.

A rejeição ao governante indígena é majoritária em Chuquisaca, Santa Cruz e Beni, também controlados por opositores.

O avanço da apuração oficial confirma também que cinco dos oito governadores submetidos à consulta continuarão em seus cargos: os opositores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija e o governista de Potosí.

Assim, esses dirigentes da oposição que formam o bloco da região chamada de "meia-lua", que desafiaram Morales com seu processo autonomista, também saem fortalecidos do referendo revogatório com um apoio que oscila entre 55% e 68%.

Os últimos dados oficiais confirmam também que os governadores de La Paz e Cochabamba (opositores) e o de Oruro (governista) deveriam deixar seus cargos.

Morales já anunciou que assim que os resultados definitivos forem divulgados, convocará não só os governadores regionais, mas também os opositores, os prefeitos do país, as organizações cívicas e os movimentos sociais a participar de uma mesa "multisetorial" O que o presidente não deixou claro é se revisará seu projeto constitucional visando a um acordo com a oposição, apesar de ter dito no domingo que a unidade do país pode ser conseguida através da união da nova Carta Magna com os estatutos autônomos aprovados na "meia-lua".

O diálogo proposto por Morales, no entanto, provoca desconfiança em Santa Cruz, o departamento mais rico do país, onde seus dirigentes mantêm uma greve de fome contra o Governo, que foi seguido por outras regiões para pedir a devolução de sua renda petrolífera.

Os rivais regionais de Morales se reunirão nesta quarta-feira no chamado Conselho Nacional Democrático (Conalde), integrado pelos governadores regionais e dirigentes cívicos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, para avaliar os resultados do referendo e decidir se reforçam os protestos.

Por outro lado, a revogação praticamente certa dos governadores opositores de La Paz e Cochabamba já ativou algumas manobras do governista Movimento ao Socialismo (MAS, o partido de Morales) em torno de seus substitutos.

Em La Paz surgiram membros do partido que se autoproclamaram candidatos ao governo.

É o caso do deputado René Ramos, que esta segunda-feira invadiu a Praça das Armas de La Paz, onde ficam as sedes do Governo e do Congresso, com o apoio de um reduzido grupo de seguidores, informou hoje a imprensa local.

Em Cochabamba, o opositor revogado Manfred Reyes Villa, o mais resistente dos governadores regionais a se submeter ao referendo, se recusa a deixar o cargo, segundo o jornal "La Prensa", enquanto os governistas começam a se mobilizar para acelerar sua saída.

O terceiro governador revogado, o governista Alberto Aguilar (Oruro), permaneceu "mudo" até agora sobre sua situação, possivelmente à espera dos dados oficiais.

Enquanto a apuração final é aguardada, as missões de observadores que foram à Bolívia para vigiar o referendo abandonam progressivamente o país, após apresentar seus relatórios sobre o desenvolvimento da consulta.

A principal destas missões, a da Organização dos Estados Americanos (OEA), considera que os bolivianos ofereceram no domingo um "exemplo cívico" de democracia, embora tenha encontrado falhas no censo eleitoral e, por isso, propõe uma auditoria externa.

O chefe da missão da OEA, o guatemalteco Eduardo Stein, acredita que Morales e a oposição estão obrigados ao diálogo depois do referendo e descarta um confronto civil, porque, segundo ele, existe espaço para um acordo. EFE sam/ab/db

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