Morales é ratificado em referendo com 67,41% de apoio popular

La Paz, 25 ago (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, obteve apoio de 67,41% dos eleitores no referendo revogatório de 10 de agosto, com a apuração totalmente concluída, informou hoje a Corte Nacional Eleitoral boliviana.

EFE |

Com a apuração de 100% das urnas, o "sim" à continuidade de Morales e do vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, soma 2.103.872 votos.

O mandato de Morales foi ratificado em seis dos nove departamentos da Bolívia, em Oruro e Potosí - ambos controlados por governistas - e em Chuquisaca, La Paz, Cochabamba e Pando - governados por opositores.

O "não" a Morales venceu nos departamentos de Santa Cruz, Beni e Tarija.

Quanto aos governadores, a apuração oficial da Corte Nacional Eleitoral confirmou o mandato dos governadores de Potosí, Mario Virreira; de Santa Cruz, Rubén Costas; de Beni, Ernesto Suárez; de Pando, Leopoldo Fernández, e de Tarija, Mario Cossío.

A dúvida se mantém sobre a ratificação ou revogação do mandato do governador de Oruro, Luis Alberto Aguilar, que obteve 50,85% de apoio da população, após a repetição da votação em duas seções da capital do departamento nas quais foram detectadas irregularidades.

No entanto, sua continuidade depende da fórmula que será usada, já que, segundo a lei de convocação do referendo, o mandato estaria revogado, mas segundo interpretação posterior da Corte Nacional Eleitoral, seria ratificado.

A Corte Nacional Eleitoral propunha que, no caso dos governadores, os mandatos seriam revogados com votação contrária superior a 50% dos votos.

A lei do referendo define percentuais entre 38% e 48% para revogar os mandatos dos governadores em função do respaldo que obtiveram nas eleições de 2005, quando foram eleitos.

Segundo a edição de hoje do jornal "La Razón", o presidente da Corte Departamental Eleitoral de Oruro, David Apaza, disse que a continuidade ou não do governador dependerá do Congresso.

Para Apaza, "a CNE tem que emitir uma resolução a respeito, e o mais lógico é que ele tenha que se sujeitar à norma aprovada, e, no caso de Oruro, o voto foi dissidente", explicou.

A apuração oficial também confirma a revogação de dois governadores da oposição: o de La Paz, José Luis Paredes, e o de Cochabamba, Manfred Reyes Villa.

Paredes reconheceu a derrota no mesmo dia do referendo, e Villa renunciou dois dias depois, embora questionando a legalidade do referendo.

Para os casos de revogação dos governadores, a lei que regula o referendo de 10 de agosto estabelece que esses governadores "deixarão de exercer suas funções" e que o presidente "designará um governador interino" até a realização das correspondentes eleições departamentais.

A governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, foi a única que não precisou se submeter à consulta popular por sua recente eleição em junho em pleito antecipado convocado no departamento por causa da renúncia de seu antecessor.

Após o referendo, Morales e seus opositores iniciaram conversas para tentarem chegar a um acordo para resolver a complexa crise boliviana.

No entanto, as tentativas de diálogo fracassaram, e as regiões controladas pela oposição realizaram uma série de protestos contra o Governo de Morales, que incluíram uma greve cívica, o bloqueio de estradas e a suspensão de fornecimento de carne aos departamentos andinos. EFE lav/wr/gs

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