Cochabamba (Bolívia), 25 set (EFE) - O presidente boliviano, Evo Morales, e seus opositores não conseguiram chegar a um acordo hoje para superar o conflito político vivido pelo país, mas ainda mantêm aberto o processo de diálogo para tentar uma aproximação. Embora ambas as partes tenham se mostrado otimistas sobre a possibilidade de um acordo, isso não se concretizou. Governo e opositores então decidiram suspender as negociações até segunda-feira.

A cidade de Cochabamba, no centro do país, voltou a ser a sede de uma sessão plenária que reuniu de novo na mesma mesa Morales e seus rivais autonomistas das regiões de Santa Cruz, Tarija, Beni e Chuquisaca.

As duas partes insistem em dizer que houve avanços no diálogo, mas ainda existem diferenças notáveis nos dois principais assuntos da crise boliviana: a compatibilização das autonomias no projeto constitucional de Morales e a distribuição das receitas petrolíferas.

As partes também concordaram em manter o diálogo "incondicional", mas os governadores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Chuquisaca deixaram claro que o único documento que assinarão é o que colocar um fim no processo de negociação.

Deste modo, ficou sobre a mesa a última proposta de Morales para um acordo que permita convocar para 15 de outubro o referendo constitucional garantindo o reconhecimento das autonomias departamentais.

Já o Executivo advertiu hoje de que não está disposto a modificar o texto aprovado na Assembléia Constituinte, salvo para "corrigir" o capítulo autônomo, e lembrou aos governadores que sua condição de autoridades "locais" não lhes dá a prerrogativa para exigir a revisão do projeto da Carta Magna.

"Não é possível que forças políticas regionais agora queiram aparecer como uma força para poder modificar a Constituição. Não corresponde a realidade política", disse o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera.

Porém, as maiores divergências do oitavo dia de diálogo ocorreram na repartição das receitas do petróleo, embora no último fim de semana tenha sido anunciado que este tema estava praticamente definido.

Os dirigentes autonomistas reivindicam ao Governo a restituição do dinheiro arrecadado com o Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH) retirado para pagar um fundo de previdência para os idosos.

Hoje, os governadores colocaram uma nova proposta ao considerar "ínfimos" os números oferecidos pelo Governo para distribuir estas receitas garantindo o pagamento do bônus aos anciãos e pediram que os dividendos da empresas nacionalizadas pelo Executivo sejam incluídos na divisão dos recursos.

Entretanto, o Governo rejeitou esta oferta ao considerá-la uma "proposta privatizadora" e "neoliberal" que pretende fragilizar as empresas nacionalizadas, entre elas várias petrolíferas e a companhia de telecomunicações Entel.

Todos estes assuntos continuarão sendo objetos de discussão nas mesas técnicas de diálogo, que continua sob "vigilância" de vários organismos internacionais.

Entre eles estão a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), a Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixadores de países como Brasil, Argentina, Chile e Peru, a União Européia (UE) e as igrejas católica, metodista e evangélica.

O processo de diálogo entre Morales e o bloco autonomista começou depois de várias semanas de conflitos violentos no país, que deixaram pelo menos 17 mortos na região de Pando, que permanece em estado de sítio. EFE sam/rb/db

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