La Paz, 13 ago (EFE) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, e os opositores regionais aceitaram hoje abrir um novo processo de diálogo, após o referendo sobre mandatos realizado no domingo que ratificou o chefe de Estado e seus principais rivais.

Os vários pedidos de diálogo que ocorreram depois dessa consulta se concretizaram hoje com a decisão dos governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca de se reunir com o presidente em La Paz.

Pouco antes, Morales tinha anunciado a nomeação de uma equipe ministerial para negociar uma agenda de diálogo com os governadores destas regiões nos próprios territórios, após uma fracassada reunião em La Paz à qual só compareceram os governadores regionais de Potosí e Oruro, aliados do Governo.

"O grande pedido do povo boliviano é o diálogo e isso significa esgotar todas as instâncias correspondentes", afirmou o chefe de Estado.

O presidente também anunciou que o ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, entrará em contato com organismos internacionais e países vizinhos para que atuem como "mediadores" das conversas entre o Governo e os opositores regionais.

Caso se concretize a disposição do diálogo expressada hoje, o Executivo de Morales e os governadores regionais opositores tentarão chegar a acordos para resolver a complexa crise política que vive a Bolívia.

O conflito é marcado pelo confronto entre o projeto constitucional promovido por Morales e o plano autonomista que empreenderam de forma unilateral as regiões da chamada "meia-lua" (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija).

Morales insistiu hoje em que quer "constitucionalizar as autonomias", porque, em sua opinião, os bolivianos também se expressaram a favor delas na consulta de domingo, mas ressaltou que o processo não deve representar independência nem separação.

"Vamos apostar em uma verdadeira autonomia", garantiu o presidente.

A possibilidade de um novo cenário de diálogo político no país ocorre três dias depois da consulta revogatória, onde os bolivianos ratificaram amplamente Morales após dois anos e meio de gestão dos cinco que tem seu mandato.

Com 94,2% da apuração oficial, Morales sai fortalecido do referendo com 67,6% de apoio, o que supera em muito os 53,7% que recebeu nas eleições presidenciais de 2005.

No entanto, desse plebiscito também saíram reforçados os principais rivais autonomista de Morales: os governadores regionais de Santa Cruz, Rubén Costas; Beni, Ernesto Suárez; Pando, Leopoldo Fernández; e Tarija, Mario Cossío.

Os governadores governistas de Potosí, Mario Virreira, e de Oruro, Alberto Aguilar, também continuarão nos cargos, no último caso contra o que previam as pesquisas.

Os dois governadores regionais que foram revogados são os opositores de La Paz, José Luis Paredes, e Cochabamba, Manfred Reyes Villa, que, na terça-feira, renunciou ao cargo.

A governadora de Chuquisaca, a opositora camponesa quíchua Savina Cuéllar, não se submeteu à consulta porque foi eleita em junho no pleito realizado neste departamento devido à renúncia do governador regional anterior.

Em janeiro de 2008, Morales e os governadores regionais já tentaram um processo de diálogo que acabou em fracasso porque nenhuma das duas partes flexibilizou suas posições.

A partir daquele momento, os governadores regionais opositores da "meia-lua" impulsionaram seu plano autonomista, que culminou na realização de quatro referendos para aprovar estatutos de autogoverno rejeitados pelo Executivo de Morales com o argumento de que são "ilegais e separatistas".

Por sua parte, a nova Constituição defendida pelo presidente está pendente ainda de ser ratificada em dois referendos: um para decidir sobre o conjunto do texto aprovado pela Assembléia Constituinte e outro para determinar a superfície dos latifúndios expropriáveis, um assunto sobre o qual não se chegou a um consenso. EFE sam/db

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