Um dia depois do referendo que aprovou a nova Constituição da Bolívia, o presidente Evo Morales e seus principais opositores sinalizaram que querem dialogar, desde que sejam atendidas certas exigências.


"Estamos sempre abertos ao diálogo. E ouvi dizer que (a oposição) quer um novo acordo político, mas este acordo já existe e é a nova Constituição aprovada pelo povo boliviano", disse Morales.

O presidente confirmou que pretende negociar com diferentes setores a implementação da nova Carta Magna, mas sem a modificação de seus 411 artigos - dos quais, pelo menos cem ainda dependem da aprovação do Congresso Nacional.

O governo não tem maioria no Senado e precisará negociar com os parlamentares a aprovação do documento no Legislativo sem alterações.

Autonomia

As declarações de Morales foram feitas um dia depois que os prefeitos (governadores) dos Departamentos (Estados) de Santa Cruz, Rubén Costas, e de Tarija, Mario Cossío, pediram um "pacto social" entre governo e oposição.

"Precisamos de um pacto social, de um entendimento para que nosso país avance em harmonia", disse Cossío. "Queremos um pacto nacional que inclua todos os bolivianos, mas vamos defender e lutar pela autonomia (política e econômica) que votamos aqui em Santa Cruz e em outros Estados do país", disse Costas.

Assessores de Costas disseram à BBC Brasil que ele quer "dialogar", mas que agora "depende" do governo tomar a iniciativa. Ele também disse que o governo deve apoiar o projeto de autonomia do Estado, aprovado em uma votação no ano passado.

"Aceitamos que o sim ganhou, mas não pode haver imposição nenhuma porque a votação não foi forte em várias regiões", disse.

Divisão

Por sua vez, o secretário-geral do governo de Santa Cruz, Roly Aguilera, ressaltou que as urnas mostraram, uma vez mais, que existe uma divisão no país.

"É preciso aceitar que as urnas mostraram ontem (domingo) que continuamos tendo duas visões de países. Uma parte que disse sim (onde vive a maioria indígena) e outra que disse não (reunida em Santa Cruz, Tarija, Chuquisaca, Beni e Pando)", disse.

Nesta terça-feira, a agenda oficial de Morales prevê que ele estará em Santa Cruz para a inauguração de uma sede sindical local, mas não está previsto, segundo seus assessores, que se ele se reúna com os líderes locais.

"Já gastamos muitas energias em disputas, e é o país que perde com isso. Precisamos que os dois lados vejam que é hora de entendimento, de verdade", disse à BBC Brasil o cientista políticos Jorge Lazarte, professor da Universidade Católica da Bolívia.

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