Morales diz que só referendo poderá deter marcha de camponeses

COCHABAMBA - O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou na noite de segunda-feira que antecipar a convocação ao referendo constitucional poderá evitar episódios de violência, especialmente no departamento de Santa Cruz.

Redação com agências internacionais |

Antes de partir para Nova York , onde participará da 63ª Assembléia Geral da ONU, o presidente voltou a pedir que a oposição aceite sua proposta de garantir as autonomias departamentais em troca da convocação ao referendo, que havia sido marcado inicialmente para 7 de dezembro.

Enquanto isso, o departamento de Santa Cruz foi bloqueado por centenas de camponeses partidários ao governo de Evo Morales, que ameaçam invadir a praça central da localidade se a oposição não aceitar a convocação para o referendo sobre a nova Constituição do país.


Camponeses apoiadores de Morales iniciam marcha / AP

"Que bom seria se os governadores assinassem (a convocação) para conseguir tranqüilidade, paz a Santa Cruz!", disse Morales aos observadores internacionais que chegaram ao país para assistir ao diálogo político entre governo e oposição.

"Se os governadores assinam este documento, voltará a paz e a tranqüilidade a Santa Cruz. Estou convencido de que meus companheiros mobilizados entenderão que este documento garante as autonomias, mas preserva a Constituição", pediu o mandatário.

O documento proposto por Morales no fim de semana e rejeitado pelos governadores no domingo reconhece na nova Constituição as autonomias departamentais para os nove departamentos e não apenas para Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.

"Estamos garantindo melhorar ou compatibilizar o tema das autonomias. Garantindo isso a todo o país", enfatizou. Morales também reiterou sua "vontade de superar as contradições internas que possam existir, mas preservando a integridade do texto original" da nova Constituição, que deve ser submetida a referendo.

Nesse sentido, o presidente voltou a pedir que os governadores de oposição superem as divergências internas e que aceitem firmar a convocação ao referendo "para que os de Santa Cruz, cujo aniversário será amanhã, possam comemorá-lo tranqüilamente", disse.

O governador de Tarija e representante da oposição, Mario Cossio, afirmou que antes de aceitar a proposta é preciso "conhecer os detalhes da Constituição que será levada a referendo".

Já o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que os camponeses, que se dirigem ao departamento, serão recebidos "de braços abertos, como temos feito com os bolivianos que vivem em nossa terra, e com a firme convicção de que estamos apostando em um processo de paz".

Por sua parte, o ex-chanceler chileno Gabriel Valdéz, que representa a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), expressou em nome das organizações internacionais a esperança de que o diálogo político permita a pacificação do país.

"Estávamos esperançosos de que fosse assinado um acordo que permitisse dar uma base firme à continuidade do processo", disse Valdéz.

O ex-chanceler elogiou também "os esforços de flexibilidade e amplitude que o governo demonstrou" e agradeceu "a confiança que nos deram" para buscarmos o consenso político através do diálogo.

"Estamos esperançosos de que no quadro atual se permita a pacificação para acompanhar nos próximos dias a negociação", completou.

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