La Paz, 4 out (EFE) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou hoje que se os governadores regionais opositores do Governo não aceitarem assinar, amanhã, sua proposta para encerrar a crise do país, passarão a ser inimigos das autonomias.

O governante se reunirá no domingo em Cochabamba, no centro do país, com os nove governadores do país, sendo que quatro deles - os de Santa Cruz, Tarija, Beni e Chuquisaca - reivindicam um regime autônomo para suas regiões.

Em Asunta, na zona do trópico de La Paz, Morales anunciou que colocará de novo sobre a mesa de diálogo um acordo para "garantir a unidade" da Bolívia e as autonomias, apesar de, em relação a este ponto, as visões do Executivo e dos opositores divergirem.

Segundo o presidente, as autonomias devem ser "para os povos, não para as lojas maçônicas", e estar dentro da lei e do marco constitucional, e não como, em sua opinião, pretenderam fazer os governadores regionais opositores através de referendos "ilegais" e com protestos violentos como os registrados em setembro.

"Se algum governador regional não assinar a proposta do presidente, do Governo nacional para garantir as autonomias, só posso pensar que será inimigo das autonomias departamentais, das regionais e inimigo dos indígenas", disse Morales.

Os governadores opositores reivindicam um regime de autogoverno por departamentos frente ao projeto constitucional do Executivo, que os autonomista rejeitam por considerarem centralista.

O texto de Constituição promovido por Evo Morales contempla quatro níveis de autonomia: departamental, regional, municipal e indígena.

Um dos assuntos que mais gera o confronto político entre o Governo e os autonomistas é fixar os níveis de competências dos departamentos e, principalmente, os recursos econômicos para financiá-los.

Segundo o Executivo, nas mesas de diálogo abertas em Cochabamba, ocorreram acordos preliminares sobre o tema autônomo em até 90% dos pontos de divergência.

Morales pretende fechar amanhã a negociação com os opositores, mas as autoridades regionais destacarão que irão a Cochabamba para tentar salvar o diálogo nacional, porque, segundo dizem, o Executivo está tomando medidas para prejudicar a aproximação. EFE ja/db

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