Morales diz que impediu golpe; oposição acusa Polícia de execução

La Paz, 20 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse hoje em La Paz que o grupo apontado como terrorista desarticulado na quinta-feira passada tentava um golpe de Estado, enquanto a oposição pediu que a operação policial que matou três e prendeu dois de seus membros seja investigada internacionalmente.

EFE |

Morales afirmou que os cinco homens apontados como terroristas faziam parte de um plano para "tomar o poder pela via violenta" ou "dividir alguma região", durante um discurso pelo aniversário do Colégio Militar, em seu primeiro discurso na Bolívia após retornar da 5ª Cúpula das Américas realizada em Trinidad e Tobago.

Durante a operação, a Polícia matou o húngaro naturalizado romeno Magyarosi Arpak, o irlandês Dwayer Michael Martin e o boliviano Eduardo Rózsa Flores -que também possuía nacionalidades húngara e croata-, além de prender o boliviano-croata Mario Tadic Astorga e o húngaro Elöd Tóaso.

Além de Morales, o Governo boliviano acusa os cinco de planejarem matar o vice-presidente, Álvaro García Linera, e outras autoridades nacionais e locais.

"Não é possível que estrangeiros, armados, violentos e antidemocráticos venham aqui atentar contra a democracia e a integridade do território nacional. Não sabemos quem os financiam. É obrigação do Estado boliviano uma investigação profunda", acrescentou.

García Linera sugeriu ontem que a organização seria financiada a algum "setor empresarial conservador".

O secretário da Confederação de Empresários Privados da Bolívia (CEPB), Andrés Torres, respondeu a esta acusação, ressaltando que García Linera carece de provas para sustentá-la.

Já o presidente do Senado, o opositor Óscar Ortiz, afirmou que os supostos terroristas mortos foram "executados" pela Polícia e pediu uma investigação da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"O Governo já fica claro que não houve tiroteio, nem enfrentamento e não se pode combater o terror com o terror", disse Ortiz, do partido opositor Poder Democrático e Social (Podemos).

"Não há credibilidade no Governo, que deu um passo muito complexo. Entrou na execução de pessoas por que já ficou claro que não houve tiroteio, nem confronto, e não se pode combater o terror com o terror" disse Ortiz à imprensa local.

Segundo ele, há uma "manipulação política eleitoral" do fato a favor de Morales que neste ano tentará a reeleição em dezembro.

Ele também pediu que as polícias de Brasil, Colômbia, Espanha e México possam acompanhar as investigações para dar mais transparência ao processo.

Por sua vez, o ministro de Relações Exteriores húngaro, Péter Balázs, declarou hoje que "não se pode excluir" a possibilidade de que os húngaros mortos na Bolívia "sejam vítimas das lutas políticas internas" no país.

Ele ponderou que "não vemos claramente em que medida se usaram as vítimas como instrumento" em eventuais manobras políticas bolivianas, segundo a agência "MTI".

O ministro ressaltou que o embaixador húngaro credenciado em Buenos Aires viajará para Bolívia para informar-se dos detalhes do incidente.

Além disso, até o momento, as autoridades húngaras não receberam informações oficiais da Bolívia.

Ao mesmo tempo, a Polícia húngara revistou hoje a casa onde Rózsa vivia, em Szurdokpüspök, ao leste de Budapeste, onde encontrou diversas armas que pertenciam a ele, segundo sua ex-namorada disse à imprensa local.

Rózsa, filho de pai húngaro e mãe espanhola, cresceu na Bolívia e mais tarde foi voluntário no Exército croata, obtendo essa cidadania.

Ele trabalhou como jornalista, para o jornal catalão "La Vanguardia" e para a versão espanhola da "BBC" cobrindo a antiga Iugoslávia, porém mais tarde se tornou combatente voluntário. EFE az/jp

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