continuar roubando - Mundo - iG" /

Morales diz que governadores opositores querem continuar roubando

La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou nesta terça-feira os governadores regionais de ter medo do povo e de rejeitar o referendo revogatório convocado para 10 de agosto porque querem continuar roubando.

Redação com agências internacionais |

EFE
O presidente boliviano Evo Morales
"Quando revogarem seu mandato, alguns governadores regionais já vão deixar de continuar roubando", disse hoje Morales em discurso em La Paz, durante a celebração do 182º aniversário da Polícia Nacional.

O presidente assegurou dispor de "relatórios e investigações" nos quais se constata que "alguns governadores regionais de alguns departamentos roubam a prata do povo boliviano".

"A honestidade levou-me à Presidência da República", disse, apesar de reconhecer que "certamente" há "alguns funcionários pedindo alguns centavos", em referência a práticas de corrupção que costumam ser denunciadas na Administração boliviana.

No plebiscito revogatório os bolivianos terão que responder se concordam com "a continuidade do processo de mudança liderado" por Morales e pelo vice-presidente, Álvaro García Linera, assim como com a permanência dos nove governadores departamentais.

Para revogar os mandatos, é preciso que o "não" supere tanto em número de absoluto de votos quanto em percentual o apoio obtido no pleito nacional e departamental de 2005.

As autoridades regionais que promovem os referendos nos quais foram aprovados os estatutos de autonomia de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, os quais o Governo qualificou de ilegais e separatistas, acreditam que o referendo revogatório favorece Morales.

Isto porque o presidente chegou ao poder com 53,7% dos votos, enquanto o apoio com o qual contaram os governadores regionais varia entre os 38%, do de La Paz, aos quase 48%, do de Santa Cruz.

Força policial

Evo Morales pediu à polícia e às Forças Armadas do país que façam com que a constituição seja respeitada. 'Quero pedir à polícia nacional e às Forças Armadas (que) dêem o exemplo de respeitar normas e fazer respeitar a constituição', disse Morales, durante discurso em um ato para comemorar o aniversário da polícia boliviana.

Morales afirmou que não convocou o referendo, mas somente aceitou este 'desafio' feito no ano passado por vários governadores e convocado em maio pelo congresso, por iniciativa da oposição.

'Os que querem que eu saia agora não querem ir ao referendo revogatório, não querem que o povo, neste processo de aprofundamento da democracia, tenha o direito de não só escolher as autoridades, mas também derrubar presidentes, vice-presidente e governadores', acrescentou.

Autonomia de Tarija

O "sim" ao estatuto autônomo de Tarija (sul) ganha com 78,9% e a abstenção se situa em cerca de 37%, com a apuração do referendo de domingo quase encerrada, revelou hoje a Corte Departamental Eleitoral (CDE). O relatório informa que o estatuto, promovido pelo governador regional, o opositor Mario Cossío, recebeu 78.790 votos, enquanto o "não" foi escolhido por 21. 072 cidadãos.

A abstenção, a qual era defendida pelo Governo do presidente Evo Morales, se situa em quase 37%, segundo os dados oferecidos até o momento pela CDE, que já contabilizou 95,66% das mesas.

Para esta votação se inscreveram 173.231 pessoas, seis mil a menos que as que participaram do processo eleitoral há dois anos.

Os resultados, virtualmente, apontam que o estatuto foi aprovado.

O documento promove um regime autônomo que o Governo boliviano rejeita por considerar parte de um movimento "separatista".

Santa Cruz (leste) foi o primeiro departamento a aprovar o estatuto autônomo, com respaldo de 85,6%.

Em Beni (nordeste), o apoio ao texto autônomo foi de 79,5%, e em Pando (norte), de 81,9%.

Os governadores opositores dessas quatro regiões mais o de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, se reuniram na segunda-feira em Tarija para analisar o futuro do bloco autonomista, a crise política do país e assumir uma posição conjunta sobre o referendo revogatório convocado para 10 de agosto, e pediram diálogo com Morales.

Este plebiscito aborda o mandato de Morales, do vice-presidente, Álvaro García Linera, e dos nove governadores regionais, dos quais cinco são opositores.

(* com informações de EFE e Reuters)

Leia mais sobre: Bolívia

    Leia tudo sobre: boliviabolívia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG