Morales diz que Bolívia reivindicará mar apesar do Peru

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente Evo Morales disse na terça-feira que continuará reivindicando uma saída marítima para a Bolívia, apesar da oposição manifestada por setores do governo peruano, que o acusaram de se intrometer em uma disputa fronteiriça entre Peru e Chile.

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Elevando ainda mais o tom da discussão, Morales negou a intromissão e disse que é o Peru quem pratica ingerência em assuntos bolivianos, ao conceder recentemente asilo político a ex-ministros bolivianos que estão sendo julgados pela morte de manifestantes em 2005.

"O que se diz é uma verdade, e estamos decididos a dizer a verdade para defender a dignidade dos bolivianos, para buscar a justiça, mas também para buscar uma solução histórica sobre o tema do mar", disse Morales em um ato militar.

Morales disse recentemente que "o governo peruano sabe que vai perder" a disputa, que envolve a fronteira marítima com o Chile --justamente a região que La Paz reivindica a Santiago.

Na segunda-feira, o vice-presidente peruano, Luis Giampietri, disse que Morales "não tem que se meter" na questão. "Se eles (bolivianos) têm problemas com o Chile, que o solucionem à sua maneira", afirmou.

Morales respondeu que declarações como essa visam a justificar uma estratégia do Peru para impedir o acesso boliviano ao Pacífico. "Quero que saibam que o governo e o povo boliviano vão defender sua saída ao mar, não é possível que com algumas exigências prejudiquem o retorno da Bolívia ao mar", afirmou, acusando alguns líderes peruanos de serem "especialistas em buscar certas manobras para prejudicar os bolivianos".

Bolívia e Peru historicamente têm boas relações que, no entanto, se deterioraram nos três últimos anos, devido a atritos entre o governo esquerdista de Morales e o conservador Alan García, presidente do Peru.

Já as relações entre Santiago e La Paz vivem um momento cada vez melhor. Os dois países não mantêm relações diplomáticas, mas recentemente definiram uma pauta de diálogo que inclui a reivindicação boliviana de devolução do acesso marítimo, perdido numa guerra no século 19.

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