Morales descarta romper relações com EUA por polêmica em Chapare

La Paz, 27 jun (EFE) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse hoje que não romperá relações com os Estados Unidos, mas lembrou que não há mais vice-reis no país, em resposta às críticas de Washington sobre a expulsão da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) de uma região boliviana. A Bolívia nunca vai romper relações com ninguém. Se querem se retirar, é problema de cada país, disse o presidente, em entrevista coletiva concedida hoje no Palácio do Governo.

EFE |

O chefe de Estado boliviano disse que a Bolívia ampliará os laços "com todo o mundo" e não aceitará que lhe imponham com qual nação deve ter ou não relações, como - em sua opinião- ocorria com outros Governos bolivianos.

"Isso terminou. Já não há, felizmente, vice-reis na Bolívia que mudem ministros, não há vice-reis que observam, questionam e impõem ministros. Isso acabou e o povo boliviano deve se sentir orgulhoso", afirmou, ao exigir dos EUA um tratamento de "respeito mútuo".

O governante respondeu, dessa forma, às declarações do porta-voz do Departamento de Estado americano, Heide Bronke, que disse à imprensa que as afirmações de Morales contra a Usaid foram "inapropriadas, inamistosas e lamentáveis".

O chefe de Estado afirmou na quinta-feira, no departamento de Chuquisaca, que respalda a decisão dos cocaleiros de Chapare, aos quais dirige como sindicalista, de expulsar a Usaid dessa região.

"Chapare não somente será território livre de analfabetismo.

Chapare será território livre do imperialismo americano. É uma forma de dignificar a Bolívia", reiterou hoje Morales.

O presidente, que se define como anti-imperialista, acusou várias vezes os EUA, e especialmente o embaixador do país na Bolívia, Philip Goldberg, e a Usaid de conspirar contra o Governo boliviano, de ingerência e de financiar seus opositores.

Os cocaleiros também decidiram na quinta-feira a saída de Chapare de outras agências de cooperação internacional associadas à Usaid, salvo as entidades dedicadas à interdição do tráfico de drogas.

Morales, que visitará hoje Chapare, qualificou de "mendicidades" o valor da cooperação da agência americana na região, que "não é ajuda e é somente para justificar sua presença" a fim de ter um "controle político" na região. EFE ja/db

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