Morales defende investigação internacional sobre suposto complô

O presidente boliviano, Evo Morales, disse nesta quarta-feira à BBC que é a favor de uma investigação internacional sobre o suposto complô para assassiná-lo.

BBC Brasil |

Três estrangeiros - um irlandês, um romeno e um homem com nacionalidades boliviana e húngara - acusados de envolvimento no suposto plano foram mortos em uma operação da polícia boliviana na cidade de Santa Cruz no dia 16 de abril.

Diplomatas da Hungria e da Irlanda estão exigindo mais detalhes sobre a operação. Ambos os países negaram participação em qualquer tipo de conspiração para desestabilizar a Bolívia.

"Eu sou quem mais pede a presença da comunidade internacional (na investigação)", disse Morales à BBC na quarta-feira durante visita a Nova York.

"Nunca nos recusamos a receber a comunidade internacional para investigar esta classe de grupos antidemocráticos."

Irlandês

O ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Micheál Martin, disse nesta semana que Michael Dwyer, o irlandês morto na operação, não tinha passado criminoso ou militar.

Ele disse que o governo irlandês tem um direito legítimo de buscar mais fatos sobre os motivos da morte de qualquer cidadão do país no exterior.

Em Nova York, Morales convidou oficiais dos governos envolvidos a viajarem a Bolívia para ajudar nas investigações, desde que tudo seja feito com "transparência".

"Eu convido o ministro de Relações Internacionais, e qualquer outra pessoa, a vir a Bolívia e verificar como foi feito, como eles lançaram as bombas, o quão armados eles estavam", disse Morales.

Morales disse que não responsabiliza os governos da Irlanda, Hungria e Croácia pelo suposto complô, mas sugeriu que seria "suspeito" se os diplomatas desses países defendessem os estrangeiros mortos.

"O que eu acho que eu diria a essas autoridades húngaras e irlandesas se eles querem reclamar pelos seus cidadãos é que eu poderia pensar que eles foram enviados para conspirar contra o meu governo e contra o território nacional."

Os três homens mortos são o romeno Arpad Magyarosi, o irlandês Michael Dwyer e o boliviano-húngaro Eduardo Rózsa Flores.

A TV estatal húngara transmitiu na terça-feira uma entrevista que havia sido gravada em setembro de 2008 com Rózsa Flores, que é veterano da guerra nos Bálcãs, nos anos 90.

Na entrevista, Rózsa Flores disse que foi recrutado - sem citar nomes - para liderar uma milícia que lutaria pela independência de Santa Cruz. Morales disse à BBC que a entrevista de Rózsa Flores "coincide perfeitamente" com as investigações feitas pelo seu governo.

"Felizmente se desbaratou uma pequena parte, porque isso que descobrimos é um tentáculo de uma estrutura", disse o presidente boliviano.

O diplomata irlandês, Derek Lambe, já identificou o corpo de Michael Dwyer, que tinha 24 anos e trabalhava como segurança privado na Bolívia.

Os outros dois presos na operação da polícia boliviana são o boliviano-croata Mario Francisco Tasik Astorga, veterano da guerra nos Bálcãs, e o húngaro Elot Toaso, especialista em computação. Munições e explosivos foram apreendidos junto com os suspeitos.

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