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Morales cumpre missão de dar nova Constituição à Bolívia

Soledad Álvarez. La Paz, 7 fev (EFE).- O presidente Evo Morales promulgou hoje a nova Constituição da Bolívia que, segundo disse, permitirá voltar a fundar o país a partir da unidade, a igualdade e a dignidade, e caminhar em direção à reconciliação nacional.

EFE |

"Missão cumprida. Para voltar a fundar uma Bolívia unida", proclamou Morales, ao declarar promulgada uma Carta Magna que, pela primeira vez na história do país, foi aprovada com o voto popular no referendo realizado em 25 de janeiro.

O líder escolheu seu bastião de El Alto para declarar a entrada em vigor do novo texto, em um grande ato que combinou a solenidade de um momento que o Governo considera "histórico" com o ambiente festivo criado pelos milhares de seguidores de Morales que foram ao local.

O governante precisou de três anos para ver cumprido seu objetivo de contar com o novo texto constitucional para fundar uma nova Bolívia "plurinacional e unitária", orientada à integração dos indígenas, com um sistema de descentralização autônoma e de economia "social".

Em seu discurso em El Alto, Morales disse que a Constituição representa uma nova fase da "permanente luta de libertação" travada desde os tempos da colônia espanhola pelos povos indígenas, os movimentos sociais e os patriotas bolivianos para defender "a vida, a justiça e a soberania".

"Apesar de tantas adversidades, tantas humilhações, chegamos a esta nova Constituição onde estão consagradas as aspirações mais profundas dos setores mais abandonados da Bolívia, como indígenas e trabalhadores", destacou Morales, que acrescentou, no entanto, que o texto "protege todos os bolivianos igualmente".

Morales dedicou boa parte de seu discurso à história da Bolívia e elogiou por várias vezes os líderes e heróis do país. O governante chegou a comparar o dia de hoje com a fundação da República, em 1825, a cargo do libertador Simón Bolívar.

"Aqui estão seus filhos, para garantir a segunda independência e a verdadeira libertação do povo boliviano", proclamou.

"É impressionante o que estamos fazendo: da rebelião de nossos antepassados à revolução democrática e cultural. Há uma nova Bolívia, com a reconciliação entre milenares e contemporâneos", destacou o presidente.

O ato de proclamação da nova Carta Magna foi assistido pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, a vencedora do Nobel da Paz de 1992, Rigoberta Menchú, e o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro.

O texto constitucional foi aprovado em 25 de janeiro, com 61,4% de apoio em um referendo no qual a rejeição se concentrou nos territórios "autonomistas" do país: Santa Cruz, Beni e Tarija, todos governados por opositores.

O "Não" também venceu na amazônica Pando, comandada por um governador regional militar após a prisão do governante anterior por sua suposta responsabilidade por um massacre ocorrido em setembro.

Após a consulta, os opositores regionais de Morales, principalmente os de Santa Cruz, fizeram um pacto nacional para aplicar a nova Constituição, que segundo este setor não recolhe suas aspirações de autogoverno nem uma verdadeira descentralização do poder.

O governante boliviano, que assumiu o compromisso de se reunir individualmente com os governadores regionais opositores assim que a Constituição fosse promulgada, voltou hoje a apelar para a unidade para implementar a Carta Magna e chegar à reconciliação nacional, objetivo que, segundo admitiu, levará tempo.

À espera do início de um processo de diálogo com os autonomistas, o primeiro efeito da Constituição recém-nascida será a reestruturação do Governo para adequá-lo ao novo texto.

Morales deve aprovar amanhã os decretos de remodelação do Executivo, que ajudarão nas mudanças de pastas ministeriais. EFE sam/mh

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