Morales culpa biocombustíveis por crise alimentar

NOVA YORK (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou na segunda-feira na ONU a expansão dos biocombustíveis que usam alimentos como matéria-prima e o capitalismo, que transformou o planeta em mercadoria. O indígena esquerdista disse estar pela primeira vez de acordo com organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, que reconheceram que os biocombustíveis estão provocando altas nos preços dos alimentos e uma crise alimentar global.

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Mas Morales pediu mais ações dessas instituições, afirmando que o alerta não deveria terminar só na mensagem.

'Quisera ... que o FMI e o Banco Mundial implementassem políticas para frear essa classe de políticas como o biocombustíveis, de maneira a evitar a fome e a miséria para nossos povos', disse Morales no Fórum de Assuntos Indígenas da ONU, em Nova York.

O FMI e o Banco Mundial alertaram que a alta no preço do trigo, do arroz e de outros alimentos pode levar 100 milhões de pessoas à pobreza e gerar instabilidade política, como ocorreu recentemente no Haiti e em alguns países da África e Ásia.

Apesar disso, afirmaram que a crise é provocada não só pelos biocombustíveis, mas também pelo aumento da demanda alimentar na China e na Índia e por desastres climáticos que afetaram as colheitas.

Morales defendeu na ONU a visão indígena de harmonia com a natureza e um 'socialismo comunitário' que incorpore a mensagem de preservação do planeta.

Por outro lado, condenou o capitalismo como um sistema que explora a 'mãe terra' e promove 'um desperdício de energia, principalmente fóssil'.

Além disso, afirmou que s problemas gerados pelas mudanças climáticas são produto do sistema capitalista que 'saqueia' os recursos naturais e explora os seres humanos. 'A terra não pode ser entendida como uma mercadoria', acrescentou.

(Escrito por Adriana Garcia via Washington)

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