El Alto (Bolívia), 10 mai (EFE).- O presidente boliviano, Evo Morales, qualificou hoje de muito grave que o Peru dê asilo a ex-ministros e advertiu o chefe de Estado Alan García de que sua obrigação é expulsá-los e ajudar para que sejam julgados na Bolívia.

"Se o Governo peruano conceder asilo ou refúgio estaria cometendo um grave delito, porque revisamos as normas do Estado peruano e não podem dar asilo a pessoas que cometeram crimes de lesa-humanidade e que estão sendo acusadas", afirmou Morales.

Em um ato popular na cidade de El Alto, Morales pediu ao Governo peruano que "não ofenda" o povo boliviano cometendo um "erro" com a concessão de asilo a esses ex-ministros.

Nesse sentido, o presidente disse que Alan García "tem a obrigação" de expulsar os ex-ministros bolivianos e advertiu que cometerá um erro se não o fizer.

O Peru concedeu asilo a um ex-ministro do ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, e avalia acolher outros dois desse mesmo Governo.

Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003) e vários dos ministros de seu segundo mandato são acusados de genocídio pelas 60 mortes geradas na repressão militar a uma série de protestos sociais na cidade de El Alto, em outubro de 2003.

O então presidente renunciou em 17 de outubro desse ano e partiu para os Estados Unidos, onde também moram seus então ministros da Defesa, Carlos Sánchez, e de Hidrocarbonetos, Jorge Berindoague.

Os outros ministros de Sánchez de Lozada que se encontram fora da Bolívia são Jorge Torres Obleas, Javier Torres Goitia e Mirtha Quevedo, Yerko Kukov, Guido Áñez e Hugo Carvajal. Os três primeiros estão no Peru. EFE ja/rr

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