Por Diego Oré LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou duramente nesta quarta-feira a administração de Barack Obama, que na terça-feira decidiu manter suspensa uma lei de benefícios comerciais sobre diversos produtos bolivianos.

Na terça-feira, o governo norte-americano rejeitou a prorrogação da Lei de Preferências Tarifárias e Erradicação de Drogas (ATPDEA, na sigla em inglês), que permite que as exportações de produtos bolivianos sejam isentos de impostos ao entrar nos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos mudaram a fisionomia dos governantes mas não mudaram as políticas do Império. Quando disseram em Trinidad e Tobago (no final de abril, durante a Cúpula das Américas) que não há sócios maiores ou menores, o presidente Obama mentiu à América Latina, porque agora não há só sócio maior, há um patrão", disse Morales a jornalistas.

"Me disseram para não confiar em Obama, que o Império é o Império. A quem me recomendou, muito obrigado. Realmente o Império é o Império, felizmente a batalha continuará com a consciência dos povos não somente da Bolívia mas da América Latina", acrescentou.

Durante os três anos e meio do governo de Morales, os embates entre ambos os países têm sido constantes e alcançaram seu pico em setembro de 2008, quando o líder indígena expulsou o embaixador norte-americano em La Paz, Philip Goldberg, a quem acusou de apoiar uma subversão direitista.

Em novembro do ano passado, Morales, um aliado próximo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu suspender "indefinidamente" as operações da DEA, o departamento contra narcóticos dos EUA, na Bolívia após acusá-la de "espionagem" e "conspiração".

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