Morales critica na ONU uso de solo agrícola para geração de biocombustíveis

Joaquin Utset Nações Unidas, 21 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, reiterou hoje sua oposição ao uso de solo agrícola para a geração de biocombustíveis, em uma postura que já o colocou em posição contrária à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EFE |

Morales inaugurou a sétima sessão do Fórum Permanente da ONU para Questões Indígenas, a primeira, no entanto, realizada desde a aprovação em 2007 da Declaração de Direitos dos Povos Indígenas.

O presidente boliviano, o primeiro indígena a chegar ao poder em seu país, foi recebido com aplausos na ocasião. Cerca de três mil delegados participarão do fórum da ONU, que se estenderá até o próximo dia 2.

"Eu não posso entender que alguns presidentes e alguns sistemas reservem as terras para os carros de luxo e não para o ser humano", declarou.

Nesse sentido, Morales assegurou que pela primeira vez está de acordo com um diagnóstico do Banco Mundial (BM), órgão que recentemente identificou os biocombustíveis como um dos fatores responsáveis pela alta dos preços dos cereais.

O discurso do presidente boliviano, que foi recebido como um astro pelos participantes do fórum, esteve em sintonia com o do público convidado a participar do primeiro dia de debates.

Morales também recomendou hoje à comunidade internacional que "erradique o capitalismo" e o substitua por um "socialismo comunitário" se quiser salvar o planeta de ameaças como a mudança climática.

Assegurou que é necessária uma "revolução" para se combater o grave impacto do aquecimento global nas comunidades nativas, referindo-se ao tema central da atual sessão do fórum.

"Para o movimento indígena, a terra é nossa mãe e o modelo capitalista não pode transformá-la em uma mercadoria", declarou o presidente boliviano.

Morales assegurou que se todos quiserem salvar o planeta precisam "acabar com o sistema capitalista", que acusou de fomentar uma industrialização e um consumo baseado no lucro e que rouba recursos naturais.

"É o (hemisfério) Norte que deve pagar a dívida ecológica, e não o Sul a dívida externa", afirmou.

O presidente da Bolívia defendeu uma mudança de modelo econômico para se combater a mudança climática, e também a eliminação de conflitos, o fim do colonialismo, e o reconhecimento da água como um bem comum. Pediu ainda o desenvolvimento de energias limpas.

Considerou que a humanidade deve apostar em "um socialismo comunitário em harmonia com a natureza", e citou como exemplo a comunidade aimara, da qual procede. Entre os membros de seu grupo, "não há propriedade privada".

A presidente do fórum, a filipina Victoria Tauli-Corpuz, afirmou que o líder boliviano "é um modelo" e desejou que suas reformas "funcionem para que possam ser copiadas em outras partes do mundo".

A ativista indígena lembrou que várias comunidades habitam zonas particularmente vulneráveis ao aquecimento do planeta, como as ilhas do Pacífico, o Ártico ou as zonas selváticas vítimas de desmatamento.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez-se presente por meio de uma mensagem gravada e retransmitida aos convidados, reunidos em uma das grandes salas de conferência da sede das Nações Unidas.

"Os povos indígenas sabem sobre as conseqüências da mudança climática e devem desempenhar um papel importante em busca de soluções", acrescentou Ban. EFE jju/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG