Morales critica interferência de EUA na diplomacia boliviana

La Paz, 22 jan (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, insistiu hoje, em seu discurso de posse, em criticar o Governo dos Estados Unidos, entre outros, por querer proibir as relações bolivianas com Cuba, Irã ou Venezuela.

EFE |

"Que não venham os EUA nos dizer com que países devemos ter relações e com quem não devemos", advertiu Morales ao tomar posse em seu segundo mandato com um discurso de duas horas e no qual aproveitou para falar sobre um extenso relatório de sua gestão anterior.

Após reiterar que seu Governo deseja ter boas relações com os EUA, também defendeu as alianças com os Governos de Cuba, Irã e Venezuela.

Fiel a sua posição "anti-imperialista", Morales fez várias críticas aos EUA ao lembrar que, em 2002, quando era deputado, foi expulso do Congresso nacional por ordem, segundo ele, da Embaixada americana.

Em outro momento do discurso, o presidente reeleito aproveitou para ressaltar que, durante sua gestão, a luta contra o narcotráfico foi mais bem-sucedida do que quando a DEA (agência antidrogas americana) operava no país.

Em fins de 2008, a DEA e o então embaixador dos EUA, Philip Goldberg, foram expulsos da Bolívia, acusados de participarem de um complô para desestabilizar Morales, e desde então ambos os países não puderam normalizar suas relações.

Também no cenário internacional e em relação ao vizinho Chile, Morales lembrou a reivindicação marítima boliviana e confiou que o novo Governo de Sebastián Piñera respeite o diálogo aberto em 2006 com a presidente Michelle Bachelet definido por uma agenda de 13 pontos.

O resto do discurso de Morales consistiu em um extenso relato repleto de números, datas e porcentagens para ilustrar o que qualificou como "recordes históricos" de sua gestão em um amplo leque de temas como educação, saúde, emprego, energia ou economia, entre outros.

Quanto aos desafios de sua gestão para o período 2010-2015, Morales citou, entre outros, a necessidade de realizar uma "profunda revolução no Poder Judiciário", a industrialização dos recursos naturais como o gás ou o lítio, a integração territorial do país por meio das comunicações e o acesso de toda a população aos serviços básicos. EFE sam/sa

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