Morales consolida apoio regional em referendo na Bolívia

LA PAZ - O governo do presidente Evo Morales conquistou uma simbólica vitória regional para a aprovação de uma nova Constituição para a Bolívia, ao se confirmar, nesta quarta-feira, que a apertada votação no departamento de Chuquisaca resultou finalmente pelo sim ao projeto.

Reuters |

O mapa político boliviano que se desenhou é formado por cinco departamentos favoráveis ao projeto indigenista e socialista de Morales e por quatro no grupo contrário, repetindo o ocorrido em agosto, quando o mandatário foi ratificado com 67% dos votos em um referendo nacional.

Chuquisaca incorporou-se ao grupo dos distritos andinos de La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí, que selaram a aprovação da nova carta magna com ao menos 60% dos votos válidos no referendo ocorrido no domingo passado, segundo a contagem oficial.

"Isso mostra que é preciso deixar para trás os enfrentamentos, porque há uma grande divisão entre a cidade que votou pelo "sim" e o campo e as províncias que impuseram o "não", disse à rádio Fides a prefeita Aydée Nava, da cidade de Sucre, capital de Chuquisaca.

O porta-voz do governo, Ivan Canelas, declarou a repórteres que "a maioria das regiões simplesmente confirmou uma vitória nacional, que é o novo pacto constitucional referendado pelo povo".

Embora com uma maioria de apenas 51,54% em Chuquisaca, a aprovação da mudança constitucional pelos eleitores chuquisaquenhos representou um duro golpe para a governadora indígena do distrito, Savina Cuéllar, ex-aliada de Morales que passou para o grupo dos governadores conservadores de oposição.

A contagem oficial da Corte Nacional Eleitoral, que apurou mais de 90% das mesas eleitorais, confirmava na quarta-feira a vitória nacional do "Sim", antecipada no domingo pelos meios de comunicação privados, embora sob oposição clara dos distritos das terras baixas de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.

A nova Constituição, que entrará em vigência em fevereiro, permitirá que Morales busque a reeleição em eleições previstas para dezembro e concederá autonomia aos departamentos municipais e territórios indígenas, mas essas mudanças enfrentam resistência dos setores de oposição.

Na terça, quando a mídia antecipava que Chuquisaca romperia o empate regional em favor da nova Constituição, o líder cívico de Santa Cruz, o agro-empresário Branko Marinkovic, lançou a proposta de formar uma confederação de estados, o que provocou veemente repúdio por parte do governo.

O governo, por meio do vice-ministro de Coordenação com Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, respondeu que a proposta de confederação era "separatista" e reiterou que "a decisão livre, soberana, legal e democrática do povo não se negocia."

Leia mais sobre Bolívia

    Leia tudo sobre: bolívia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG