Morales confirma sua vitória e promete aprofundar nacionalizações na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que sua vitória no referendo deste domingo consolida seu programa de governo, baseado na nacionalização de empresas, e anunciou que aprofundará esta política, segundo canais privados de televisão.

AFP |

"O que a Bolívia expressou com seu voto é consolidar este processo de mudança (...). Estamos aqui para continuar avançando na recuperação dos recursos naturais e para a consolidação da nacionalização", disse Morales.

O presidente discursou no balcão do Palácio de Governo, na Praça de Armas de La Paz, para uma multidão de partidários, que festejavam o apoio de 63,1% alcançado nas urnas no referendo deste domingo.

Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, lembrou que seus dois anos e meio de gestão permitiram a nacionalização das riquezas hidrocarboníferas do país, exploradas por companhias de Brasil, Espanha, Holanda e Grã-Bretanha.

O presidente aproveitou a oportunidade para saudar a vitória dos governadores oposicionistas de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, convocando-os para trabalhar "de maneira conjunta" e para apoiar "esta revolução democrática e cultural visando garantir a nacionalização de outros recursos naturais".

Dia de votação

AP
Dia de votação foi de tranqüilidade
As mesas de votação começaram a encerrar os trabalhos às 16 horas, horário local, depois de oito horas de funcionamento tranquilo, informaram as cadeias de rádio.

A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) disse que não houve irregularidades graves, exceto um incidente em um povoado amazônico onde a votação foi demorada porque foi necessário repor todo o material eleitoral roubado durante a madrugada por desconhecidos.

A OEA 'valoriza a alta participação cidadã e deseja expressar o seu reconhecimento e admiração pelo interesse e vontade cívica dos bolivianos que comparecem com toda a tranquilidade e ânimo para votar', disse a organização em um comunicado.

O presidente Morales disse que sonhava com a unidade e o aprofundamento da democracia na Bolívia, depois de depositar seu voto em uma escola na região central de Chapare, onde nasceu para a vida sindical e política.

'Meu desejo, meu sonho é que haja uma grande unidade do povo boliviano (...), frente a intenções separatistas, saúdo este povo boliviano que luta por sua igualdade, por sua identidade e sobretudo pela unidade', disse em alusão a movimentos de autonomias regionais alentados pela oposição de direita.

O mandatário indígena acrescentou que a revolução socialista que pretendia na Bolívia não era um anseio isolado, porque 'na América Latina há uma grande rebelião contra políticas econômicas que não resolvem os problemas sociais, os problemas econômicos das grandes maiorias'.

'Hoje temos a certeza de que as pessoas vão sair para defender uma forma de vida, para lutar pela liberdade, mas com justiça', disse no outro extremo o prefeito de oposição de Santa Cruz e líder dos movimentos autonomistas, Rubén Costas, mostrando-se confiante em sua ratificação antes de votar.

Costas votou fazendo uma pausa na greve de fome que faz há seis dias, em um dos protestos anti-governamentais que aumentou a tensão política na última semana e colocou em risco o plebiscito.

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