La Paz, 2 out (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, estará no próximo domingo na mesa montada para os diálogos com a oposição, embora os governadores autonomistas tenham declarado a suspensão do processo, disse hoje o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana.

Em entrevista coletiva em La Paz, Quintana leu uma carta aberta aos governadores, na qual o Governo insiste em chamá-los de volta ao diálogo convocado para acabar com a profunda crise política que o país vive.

"Vamos esgotar todos os recursos para que este diálogo prospere e tenha o resultado que os bolivianos esperam", acrescentou Quintana.

Os governadores declararam suspensa a negociação devido ao clima hostil e à perseguição do Governo a líderes e simpatizantes da causa autonomista.

O processo de diálogo começou em Cochabamba (centro) há duas semanas, depois que uma onda de violência entre opositores e seguidores de Morales se espalhou por algumas regiões do país.

Quintana voltou a ressaltar a "estranheza" e "surpresa" do Governo pela decisão dos governadores autonomistas de suspenderem o diálogo.

"Nenhum crime comum cometido deve ficar na impunidade, menos ainda ser objeto de negociação política", afirmou o ministro, que advertiu que "os atentados às instituições públicas, a destruição do patrimônio do Estado e a morte de cidadãos são inegociáveis".

Quintana esclareceu que "o Governo não persegue nem perseguirá ninguém politicamente", embora tenha destacado que "a Procuradoria Geral da República, exercendo seu papel constitucional, leva adiante investigações e processos por delitos comuns".

"Não podemos aceitar (...) que existam condições para o reinício do diálogo às custas da aplicação da lei", declarou.

No entanto, o governador do departamento (estado) de Beni, o opositor Ernesto Suárez, antes de entrar para uma reunião "a sós" com o presidente Evo Morales, frisou que "as garantias constitucionais das pessoas não estão sendo respeitadas". EFE az/sc

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