Morales confia em câmbio constitucional apesar da oposição

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou na quarta-feira que a resistência de diversos governadores e líderes regionais não impedirá a aprovação da nova Constituição social-indigenista no referendo de 25 de janeiro.

Reuters |


Em entrevista coletiva no dia seguinte à aprovação da lei que convoca o referendo, Morales também se mostrou confiante na sua reeleição, em dezembro de 2009.

A nova Constituição, exigência dos movimentos populares há quase duas décadas, usada depois como bandeira política do presidente, dá mais poderes à maioria indígena, proíbe novos latifúndios, reconhece a autonomia das regiões e amplia a participação do Estado na autonomia.

"Sei que vai ser aprovada, não sei com qual percentual, e desde já o governo nacional vai se preparando para aplicá-la", disse Morales, que renunciou a uma eventual segunda reeleição para facilitar o acordo político em torno do referendo.

Depois de boicotar a Assembléia Constituinte, a oposição conseguiu inserir dezenas de emendas à Carta durante a negociação no Congresso, inclusive com a inclusão das autonomias regionais pleiteadas por governadores contrários a Morales. O presidente disse que, dessa forma, os líderes regionais oposicionistas devem fazer campanha pelo "sim".

Sobre a antecipação das eleições para dezembro de 2009, abreviando em um ano o mandato do governo e do Congresso, Morales disse que essa foi uma das suas últimas disputas com a oposição de direita.

De acordo com ele, o governo queria realizar eleições já em junho, mas a oposição pressionou para que fossem em dezembro, pois dessa forma teria mais tempo para se preparar.

"O que estão dizendo é que até dezembro de 2009 o Evo vai chegar totalmente destroçado, mas quero dizer à oposição que vamos nos preparar, nosso plano é chegar a dezembro de 2009 com mais força", disse Morales, declarando ser um "fator de unidade de todos os setores sociais".

Oposição dividida

No rico Departamento de Santa Cruz (leste), reduto da oposição, o chamado Comitê Cívico se manifestou contra a nova Constituição, e o governador Rubén Costas defendeu a retomada de uma "frente ampla" contra a reeleição de Morales.

Os governadores de outros dois departamentos autonomistas, Tarija e Beni, não confirmaram se farão campanha pelo "não".

Em outros cinco Departamentos do país, dominados por governistas, a aprovação da nova Carta deve ser tranqüila, segundo analistas. Há incertezas com relação ao nono Departamento, Chuquisaca, que fracassou na sua tentativa de levar a sede do governo para a cidade de Sucre.

O presidente do Senado, o direitista Oscar Ortiz, admitiu que a bancada do seu partido, o Podemos, se dividiu na votação sobre o referendo, o que permitiu o quorum de dois terços para o "sim" no Congresso.

Dois senadores do Podemos, Luis Vásquez e Carlos Bohrt, apoiaram a convocação do referendo, alegando que os dirigentes de Santa Cruz se viam numa encruzilhada, entre "votar pelo 'sim' a uma nova Constituição com autonomias, ou ficar com a velha Constituição sem autonomias". O dirigente centrista Samuel Doria Medina, do partido Unidade Nacional, anunciou que fará campanha pelo "sim."

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