Javier Aliaga. La Paz, 22 jan (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, comemorou hoje três anos de Governo em uma sessão no Congresso, onde, durante quatro horas, apresentou um balanço de sua Administração e fez fortes críticas aos Estados Unidos e à União Europeia (UE).

Morales dedicou grande parte de seu discurso aos avanços econômicos que o país registrou desde o início de seu mandato, em janeiro de 2006. Porém, também reconheceu que em seu Governo ainda há burocracia e corrupção, e que ainda não foi possível erradicar a produção de cocaína.

A poucas horas do fechamento das campanhas para o referendo de domingo sobre a nova Constituição, Morales aproveitou o espaço para convocar "milhões" de bolivianos a apoiarem o texto reformado, que, segundo disse, permitirá o nascimento de um novo país.

Nos momentos mais duros de seu discurso, o presidente boliviano acusou o Governo do ex-chefe de Estado americano George W. Bush de ter enviado o embaixador Philip Goldberg para La Paz para que "esquartejasse" a Bolívia e conspirasse contra a Administração boliviana.

Segundo Morales, os EUA atuam com uma "dupla moral" em relação à cooperação com a Bolívia, porque, afirmou, na verdade as autoridades americanas querem terminar com seu Governo.

"Expulso o embaixador dos EUA (o que aconteceu em novembro), acabou a conspiração", declarou o presidente, que, no entanto, cumprimentou o novo chefe de Estado americano, Barack Obama, e disse que a história dos afro-americanos coincide com a do movimento indígena boliviano.

"Os mais discriminados, os mais humilhados agora podem ser presidentes", afirmou Morales, que disse esperar que a relação entre ambos os países, atualmente sem embaixadores das duas nações, melhore na Administração de Obama.

As fortes críticas do presidente boliviano fizeram o embaixador interino dos EUA em La Paz, o encarregado de negócios Kris Urs, deixar a sessão do Congresso, para qual todo o corpo diplomático havia sido convidado.

Aos jornalistas, Urs disse que as acusações de Morales são "infundadas" e que as críticas não condizem com a anunciada intenção de melhorar a relação com os EUA.

"Lamentamos que o presidente continue utilizando os EUA como uma ficha em seu jogo político interno. Não conseguimos entender como é possível que o presidente, que por um lado quer melhorar as relações, por outro continue com fazendo acusações infundadas", disse o diplomata.

O funcionário afirmou ainda que, se Morales quer respeito, também deve tê-lo para com o Governo americano.

Em seu discurso, Morales também disse que a UE cometeu um "grave erro" ao iniciar negociações para a assinatura de tratados comerciais com os Governos do Peru e da Colômbia fora da Comunidade Andina de Nações (CAN).

"É uma pena que os promotores dos processos de integração não sejam coerentes com seus princípios e anteponham seus interesses comerciais à necessidade de integração de nossos povos", afirmou o chefe de Estado aos parlamentares bolivianos.

Morales ratificou sua oposição aos tratados de livre-comércio porque, segundo disse, estes "destroem os processos de integração" regional. Além disso, lamentou que a UE, como impulsora da integração, quebre a união da CAN.

Na segunda-feira, a UE autorizou as negociações para um tratado com o Peru e a Colômbia, em um documento no qual também aprovou o fortalecimento do diálogo político e da cooperação com os andinos como bloco.

Em seu discurso, Morales destacou como conquistas de seu Governo o crescimento econômico anual médio de 5,29% - desde 2006 -, as exportações recordes - que em 2008 totalizaram US$ 6,2 bilhões - e o aumento das reservas internacionais - que atingiram US$ 7,8 bilhões.

No entanto, reclamou da burocracia que freia suas reformas e a corrupção em algumas instituições do Estado, contra as quais garantiu que já atua legalmente.

Além disso, admitiu que, após três anos de Governo, não conseguiu eliminar totalmente a produção de cocaína no país, apesar de ter ratificado que esse continua sendo um de seus objetivos.

Sobre o referendo do próximo domingo, Morales disse: "Em 25 de janeiro vamos carimbar a vitória da unidade frente ao separatismo" dos opositores. EFE ja/sc

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