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Morales ataca Brasil em discurso anticapitalista similar a Chávez

San Salvador, 30 out (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez coro hoje com seu colega venezuelano e aliado Hugo Chávez, ao culpar o capitalismo e privatizações pela crise global e por falta de alimentos -sobrando até para o Brasil, por dedicar terras para combustíveis.

EFE |

Na terça-feira, Chávez dissera que é preciso "enterrar o capitalismo", aproveitando a crise global, posição que voltou a manifestar hoje, em um discurso na TV venezuelana.

"Sinto que o capitalismo não é a solução, não se trata de salvá-lo", disse Morales, na 18ª Cúpula Ibero-americana, em San Salvador, propondo uma suposta "democratização" da economia mundial, sem explicar o que seria isto.

"Quando ganham, 'bem', quando perdem, 'ajudem-me'. Agora é preciso salvá-los às custas dos pobres, explorando o homem e os recursos naturais", acrescentou o boliviano na primeira sessão plenária.

O capitalismo "nos traz crise alimentícia, as privatizações", disse Morales.

Quanto ao Brasil, o presidente boliviano bateu -ao atacar "que se dediquem terras para combustíveis, como promove o Brasil"- para depois afagar -dizendo que se trata de um país "pelo qual temos respeito e amizade".

"É necessário deixar de pensar em ganho, e sim em alimentos para o ser humano, produzir para a vida", destacou, ao propor uma "segurança alimentar com soberania".

"Estamos obrigados a trabalhar de maneira conjunta. Ao salvar o capitalismo nos equivocaríamos", insistiu.

O Governo boliviano, lembrou, decidiu dar créditos isentos de juros aos camponeses e pequenas empresas para produzir alguns alimentos, com resultados "muito importantes", para fortalecer a economia.

"É necessário pensar primeiro em garantir alimentos para os povos, o que nos ajudaria a enfrentar uma crise que vem de fora e pode nos trazer muitos problemas", afirmou Evo Morales, admitindo já ter "problemas pelo preço dos minerais e do petróleo".

Morales cumprimentou os presidentes que "seguem com sua mesma linha política revolucionária de juventude", e destacou o trabalho dos jovens que "seguem essa batalha permanente no mundo todo".

Em referência ao tema principal desta cúpula ibero-americana, "Juventude e Desenvolvimento", Morales afirmou que "nunca mais pode haver analfabetos". EFE mmg/jp

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