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Morales: Ditaduras militares foram substituídas por civis

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que as ditaduras militares do passado no país estão sendo substituídas agora por seus opositores civis. As ditaduras dos anos 60 e 70 estão sendo substituídas por alguns grupos que ocupam aeroportos, cortes eleitorais e que baleiam carros de ministro, afirmou.

BBC Brasil |

"Peço ao povo boliviano que defenda nossa democracia, nossas instituições e o direito a definir o destino do país no referendo revocatório".

As declarações de Morales foram feitas a quatro dias do referendo revocatório deste domingo, cujo resultado será decisivo para a continuidade ou não do presidente, do vice e de oito dos nove prefeitos (equivalentes a governadores) do país.

O líder boliviano discursou numa cerimônia das Forças Armadas, no departamento (equivalente a Estado) de Cochabamba.

Pouco antes, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, homem forte do governo central, disse que a Bolívia está "à beira de um golpe".

Segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI, que é oficial), ele declarou: "A Bolívia está à beira de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional. (...) E o objetivo já não é mais impedir o referendo, mas derrubar o presidente e acabar com a ordem democrática".

Quintana afirmou que se referia, principalmente, aos prefeitos da oposição que governam a região conhecida como "meia lua" e é a mais próspera do país - Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Estas quatro regiões votaram, recentemente, pela autonomia política e financeira do governo central, mas se opõem ao referendo de domingo, que é defendido por Morales.

Tensão
As afirmações confirmam o clima de tensão vivido no país, às vésperas do plebiscito deste domingo. O carro oficial de Quintana foi baleado na noite de terça-feira, em Trinidad, no departamento de Beni. Naquele momento, ele estava numa reunião, em outro local.

Foi à situação vivida por este ministro que Morales se referiu ao criticar os que agora "substituíram" a ditadura do passado.

País com cerca de 10 milhões de habitantes, a Bolívia é um dos países mais pobres da região. E vive um dos momentos de maior disputa entre a oposição e o governo de Morales, que assumiu o poder em janeiro de 2006.

Nesta quinta-feira, foram registrados novos protestos e incidentes em diferentes pontos do país, aumentando as incertezas do que poderá ocorrer no domingo e no dia seguinte à votação.

"É uma situação institucional muito confusa. E ninguém sabe ao certo o que acontecerá no dia seguinte. As regras da votação podem ser questionadas, judicialmente, por aqueles que perderem a eleição e, conseqüentemente, o cargo", disse, por telefone, à BBC Brasil o analista político Luis Garay, diretor do instituto Ipsos Apoyo, com sede em La Paz.

Ele contou que depois de muitas idas e vindas não está claro qual será a regra que valerá para este domingo. "Acho que serão duas normas", afirmou.

A lei aprovada em maio passado, no Congresso Nacional, e ratificada por Morales, prevê que deverá deixar o cargo aquele que tiver maior número de votos negativos ("no") do que a votação que recebeu na eleição de 2005.

No caso de Morales, ele deixaria o cargo se a rejeição à sua continuidade superasse os 53,76% dos votos que recebeu nas urnas.

Essa possibilidade parece remota, na visão de Garay, e de diferentes institutos de opinião. "Morales tem hoje quase 60% de apoio popular, segundo pesquisa que realizamos, no mês passado, nas cidades do país", disse.

A segunda regra também prevista para este domingo foi definida, nas últimas horas, pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). De acordo com o CNE, uma autoridade pode ser removida, se 50% mais 1% dos eleitores disserem que ele não deve seguir no posto. "Ou seja, tudo é confuso", reiterou Gray.

"É muito difícil saber o que vai acontecer no domingo e no dia seguinte", completou a analista política Jimena Costa, professora da Universidade de San Andrés, de La Paz.

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