LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou na quarta-feira que a Bolívia pode ser atingida por uma nova onda de protestos se um grupo de governadores regionais de oposição insistir em bloquear uma nova Constituição que favoreceria a maioria indígena. Morales fez a advertência em uma entrevista à rede de televisão Telesur, em Nova York, um dia antes do restabelecimento de um tenso diálogo entre governo e oposição para resolver o conflito político que deixou mais de 20 mortos.

O presidente boliviano, relembrando que teve seu mandato ratificado com 67 por cento dos votos em um referendo recente, chamou os governadores dos departamentos de Santa Cruz, Tarija e Beni para que "juntos apostem em garantir as autonomias (reivindicada pelos líderes regionais)" e a aprovação da nova Constituição".

"Sei que não há vontade, mas bem ou mal, o povo vai obrigá-los a aprovar a nova Constituição. Se não quiserem prefiro que rejeitem a nova Constituição com o voto e não com a violência como fizeram", disse.

A declaração presidencial também foi feita após um anúncio da aliança direitista Podemos, principal força de oposição, que afirmou que bloqueará a mudança constitucional no Congresso se o governo não mudar o texto de nove capítulos de forma que ele faça referência às autonomias.

"Não é suficiente concordar com a 'autonomia' para que o Podemos apóie uma lei de convocação para um referendo constitucional", disse o senador Walter Guiteras, segundo o jornal La Razón.

As conversas, que acontecerão na quinta-feira, buscarão compatibilizar as autonomias pedidas pelos governadores e a nova Constituição promovida pelo governo, que dará mais poder aos indígenas, eliminará latifúndios e consolidará a estatização da economia.

(Reportagem Carlos Alberto Quiroga)

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