Morales aceita referendo e espera convocá-lo imediatamente

La Paz, 8 mai (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, se mostrou hoje muito satisfeito com a aprovação no Senado do referendo sobre a revogação de seu mandato e o dos nove governadores e se comprometeu a convocá-lo imediatamente.

EFE |

"Quero reiterar minha posição de que somos comandados pelo povo, que nos dirá quem serve e quem não para governar", disse Morales, para quem essa consulta "é uma forma de aprofundar a democracia no país".

O líder fez esta declaração no Palácio de Governo em La Paz, após manter uma reunião urgente com seu gabinete e ser recebido por quase todos seus ministros, que lhe aplaudiram ao princípio e ao final de seu discurso.

Morales lembrou hoje que a proposta para revogar seu mandato, o do vice-presidente, Álvaro García Linera, e o dos nove governadores regionais, a maioria da oposição, foi lançada por ele mesmo, em dezembro passado, em meio a uma tensa situação política relacionada com o processo constituinte.

O trâmite desse projeto de lei, que recebeu em janeiro o sinal verde na Câmara dos Deputados, ficou estagnou no Senado, que hoje o aprovou de forma surpreendente e por unanimidade, uma vez que até os legisladores do partido do governo, Movimento Ao Socialismo (MAS), votaram a favor.

A decisão do Senado dá uma nova guinada à crise política vivida pela Bolívia há vários meses pelo enfrentamento entre o projeto de "refundação" constitucional impulsionado por Morales e as reivindicações de autonomia de várias regiões opositoras, lideradas pela rica Santa Cruz.

Morales assegurou que o referendo que votará a revogação de seu mandato tem como objetivo "definir nas urnas e não com violência" a conflituosa situação pela qual o país atravessa e pediu ao Congresso que lhe envie "de maneira imediata" a norma aprovada hoje para convocar a consulta o mais rápido possível e assim "ganhar tempo".

Poucas horas antes, o líder esquerdista chamou os nove governadores para dialogar na próxima segunda-feira, em La Paz, sobre a crise, agravada após o referendo autonomista de Santa Cruz.

As autoridades e líderes cívicos opositores de Santa Cruz realizaram no domingo passado um referendo sobre o estatuto autônomo regional, considerado ilegal pela Corte Nacional Eleitoral e pelo Governo.

Com quase todas as mesas já apuradas, o "sim" ganha com um apoio de 85%, segundo dados divulgados hoje pela Corte Departamental Eleitoral, embora o Governo tenha tachado de "fracasso" a consulta pela alta abstenção registrada, que superou 38%. EFE mb-az/fb

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