Moradores de Nova Orleans fogem do furacão Gustav

Milhares de moradores de Nova Orleans estão deixando a cidade depois que o prefeito deu ordens para uma evacuação obrigatória antes da chegada do furacão Gustav. As estradas ao redor do porto de Louisiana estão lotadas, e as autoridades ajudam os que não têm como deixar a cidade por conta própria.

BBC Brasil |

O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, descreveu o furacão Gustav, que deve atingir a costa americana na segunda-feira, como "a tempestade do século."
Mas um porta-voz do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, Eric Blake, disse que apesar de o furacão representar uma ameaça significativa, o prefeito pode ter exagerado.

A passagem do Gustav acontece três anos depois que o furacão Katrina destruiu Nova Orleans. Três quartos da cidade foram inundados e mais de 1,8 mil morreram nas áreas costeiras.

O correspondente da BBC em Nova Orleans Kevin Connolly disse que Nagin fez uma declaração apaixonada e desesperada em uma conferência transmitida pela TV.

"Se você é teimoso o suficiente, se você não está levando isso a sério como deveria e se você decidir ficar, você estará sozinho", disse o prefeito.

Ele alertou que obras iniciadas com o objetivo de proteger os moradores em partes da cidade ainda não estão prontas.

Saras Debacher, que vive em Nova Orleans há dez anos e se prepara para deixar sua casa pela quarta vez, disse à BBC que se sente mais ansiosa desta vez.

"Quando as barragens não suportaram a força do Katrina, nós sofremos estragos que não deveríamos ter sofrido. Sinceramente, nós não temos muita fé no trabalho que está sendo feito para reparar os defeitos e estragos nas barragens", afirmou.

Autoridades municipais, estaduais e federais sabem que a reação ao Gustav será acompanhada de perto, principalmente porque a resposta lenta e desorganizada ao Katrina foi responsabilizada por exarcebar o desastre.

Cuba
O furacão Gustav chegou ao oeste de Cuba com ventos de 240km/h, provocando chuvas torrenciais e enchentes nas províncias de Havana e Pinal de Rio, centro de produção dos charutos cubanos. A tempestade também causou queda de energia em diversas partes da capital Havana.

Cerca de 300 mil pessoas tiveram de deixar suas casas em Cuba. Não há relatos de vítimas fatais.

O correspondente da BBC em Havana Michael Voss diz que o plano de retirada dos moradores e turistas funcionou bem e informações eram constantemente transmitidas pela mídia cubana.

Na noite de sábado, Gustav era classificado como uma tempestade de categoria 4, mas meteorologistas previam que poderia passar para a categoria máxima 5 a qualquer momento, na escala de Saffir-Simpson.

Cerca de 80 pessoas morreram na República Dominicana, Haiti e Jamaica por causa do furacão, que também passou pelas Ilhas Cayman, onde não há relatos de vítimas.

A tempestade agora se dirigiu para o Golfo do México.

Convenção republicana
Redes de TV americanas divulgaram informações de que a convenção do Partido Republicano, que tem início previsto para esta segunda-feira, poderá ser adiada por causa do furacão.

Já o senador John McCain, virtual candidato republicano à Presidência, sugeriu que pode haver mudanças no tom do evento em vez de um cancelamento.

"Não seria apropriado ter uma ocasião festiva enquanto uma possível tragédia ou um terrível desafio se apresenta na forma de um desastre natural, então nós estamos acompanhando e eu estou fazendo orações também", disse McCain ao Fox News.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou estado de emergência na Louisiana e no Texas.

A Casa Branca informou que será enviada ajuda federal para complementar os esforços estaduais e locais para conter os danos que podem ser provocados pelo furacão.

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